Marcos de Paula/Estadão
Marcos de Paula/Estadão

MPF denuncia Nuzman e Sérgio Cabral por esquema da Olimpíada

Investigações da Operação Unfair Play do MPF apontaram pagamento de propina para escolha do Rio como sede dos Jogos

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

18 Outubro 2017 | 10h23

RIO - O Ministério Público Federal do Rio (MPF) denunciou, nesta quarta-feira, 18, o ex-presidente do Comitê Olímpico Brasileiro (COB), Carlos Arthur Nuzman, pelos crimes de corrupção passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Já o seu braço-direito, Leonardo Gryner, foi denunciado por corrupção passiva e organização criminosa. O ex-governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), foi denunciado por corrupção passiva e, o empresário Arthur Soares, conhecido como Rei Arthur, por corrupção ativa. Os membros africanos do COI (Comitê Olímpico Internacional), Papa Massata Diack e Lamine Diack foram denunciados por corrupção passiva. 

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A denúncia é o resultado da Operação Unfair Play do MPF, que descobriu um esquema que revelou a compra de votos para a escolha do Rio como sede olímpica de 2016. Ela foi encaminhada nesta manhã ao juiz da 7º Vara Federal Criminal, Marcelo Bretas, responsável por julgar os processos relacionados à Lava Jato no Rio.

As investigações apontaram que Sérgio Cabral pagou propina para a delegação africana, por meio do empresário Arthur Soares, para a escolha do Rio. Carlos Nuzman e Leonardo Gryner teriam sido os agentes responsáveis por unir pontas interessadas, fazer os contatos e "azeitar as relações para organizar o mecanismo do repasse de propinas", segundo o MPF.

O MPF também informou que, nos últimos dez dos 22 anos de presidência do COB, Nuzman ampliou seu patrimônio em 457%, não havendo indicação clara de seus rendimentos, além de manter parte de seu patrimônio oculto na Suíça. Por exemplo, ele só veio a declarar a existência de 16 barras de ouro, 1 kg cada uma, que mantinha no exterior, à Receita Federal, por meio de retificação do Imposto de Renda, na data de 20 de setembro deste ano, ou seja, após a deflagração da Operação Unfair Play. Nuzman está preso preventivamente, desde o dia 5, em Benfica, zona norte do Rio.

 

ENTENDA O CASO

Um braço da Operação Lava Jato, denominada Unfair Play, investiga a participação de Nuzman e seus pares na compra de votos para a escolha do Brasil como país-sede da Olímpiada do Rio. O cartola foi preso anteontem porque havia a desconfiança de que ele pudesse atrapalhar as investigações. Os advogados de Nuzman tentam um habeas corpus.

Num armazém, Nuzman guarda o ouro brasileiro

A reportagem do Estado localizou o depósito na Suíça onde o dirigente do COB guarda 16 barras de ouro avaliadas em R$ 2 milhões. Nuzman não havia declarado as barras em seu Imposto de Renda. Só o fez depois de a informação ter sido revelada pela Polícia Federal. Nuzman continua preso no Rio.

 

 

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