Murray acaba com jejum britânico ao derrotar o número 1 Roger Federer

País não levava o ouro olímpico na modalidade havia 104 anos - torcida quebrou o protocolo e fez até 'ola'

JAMIL CHADE , ENVIADO ESPECIAL / LONDRES, O Estado de S.Paulo

06 Agosto 2012 | 03h05

Um ace fez explodir as arquibancadas e colocou fim ontem a um tabu de 76 anos em Wimbledon, coroando Andy Murray como campeão olímpico. O britânico deu show e arrasou o número 1 do mundo, Roger Federer, com parciais de 6/2, 6/1 e 6/4. A conquista marcou o fim do jejum de títulos do tênis inglês em sua própria casa e deu fim a 104 anos da Grã Bretanha sem ouro no tênis olímpico.

A quadra central da arena de Wimbledon se transformou em caldeirão. Mesmo não sendo um torneio de Grand Slam, a final de ontem foi a primeira com a vitória de um britânico desde 1936. Em Olimpíadas, a última havia sido em 1908, justamente em Londres.

A conquista teve gosto de revanche para o britânico. Há um mês, Federer bateu Murray na final do torneio de Wimbledon. Ontem, o suíço heptacampeão na grama de Londres buscava o único título que faltava em sua carreira: o ouro olímpico.

Mas Murray entrou em quadra com moral, depois de eliminar Novak Djokovic nas semifinais. O número 4 do mundo passou a pressionar Federer e chegou a vencer nove games seguidos. "Não me lembro de ter sofrido isso antes", disse Federer.

Com passadas que empolgaram o público, Murray quebrou o serviço de Federer em várias ocasiões e esteve perto de fechar o segundo set em um humilhante 6/0. No terceiro set, a torcida sentia que o título estava próximo e não economizou na festa, sob gritos de "Murray, Murray, Murray". O britânico fechou a partida em grande estilo: obteve os dois últimos pontos do jogo por aces e levou a arquibancada ao delírio.

A torcida, aliás, foi um capítulo à parte. Nas duas horas de partida, a quadra central de Wimbledon mais parecia um estádio de futebol em decisão de Copa do Mundo. Todos os protocolos foram quebrados. Nas arquibancadas, "ola" dos torcedores, mar de bandeiras, fantasias, gritos de guerra, cantoria. Os árbitros desistiram de pedir silêncio. Em quadra, ninguém usou branco, ignorando uma das principais regras do clube centenário.

A vitória pode ser considerada um alívio para a carreira de Murray, acusado de não ter força para vencer um Grand Slam. "Foi a maior vitória da minha vida e o melhor jogo que já disputei", celebrou o tenista de 25 anos. "Nunca vou esquecer. Não trocaria isso por nada." Federer admitiu que Murray jogou melhor. "Não vou buscar desculpas. Estou feliz pela medalha de prata", disse.

Para 2016, ambos insistem que querem estar nos Jogos do Rio. "Nunca fui ao Brasil e adoraria competir lá", disse Federer. "Todos irão ao Rio", confirmou Murray. O dia de festa quase foi completo para Murray: ele ainda levou a prata na final das duplas mistas, em parceria com Laura Dobson. O ouro foi para a equipe da Bielorrússia, formada por Victoria Azarenka e Max Mirnyi, por 2 sets a 1 (2/6, 6/3, 10/8).

TÊNIS

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