Sean Dempsey/ EFE
Sean Dempsey/ EFE

Drama marca despedida de Usain Bolt, o maior de todos os tempos

Na última prova da carreira, lenda do esporte sente lesão e abandona prova

Glauco de Pierri, O Estado de S. Paulo

12 Agosto 2017 | 18h10

O maior de todos os tempos teve um final de carreira inesperado, mas 'humano'. Aos 30 anos, Usain Bolt, o astro jamaicano, cidadão do mundo, ficou pelo caminho nos últimos 100 metros do revezamento 4 x 100 no Mundial de Atletismo de Londres-2017. Em boa posição, na luta por uma medalha, ele recebeu o bastão e já corria para o pódio quando uma cãibra no músculo posterior da coxa esquerda pôs fim à sua prova. Incrédulo, ele diminuiu a passada, deu uma cambalhota e esparramou-se no chão, se contorcendo em dores. Viu os adversários o ultrapassarem e deixou a pista consolado pelos seus companheiros. Pouco importa – Bolt continuará como o maior de todos os tempos.

O sorriso fácil, a personalidade forte, o carisma e o talento ganharam a companhia da emoção de Usain Bolt, um dos maiores nomes do esporte mundial. Hoje, perto de completar 31 anos, o astro jamaicano saiu de cena após a disputa do revezamento 4 x 100 metros no Mundial de Atletismo de Londres. Pouco importava a cor da medalha, ou mesmo se ela viria – o que todos queriam ver era a última vez em que o maior de todos os tempos pisava em uma pista de forma competitiva. 

Omar McLeod, Julian Forte e Yohan Blake tiveram a honra de competir ao lado de Bolt em sua despedida, no estádio Olímpico de Londres, palco de suas grandes conquistas na Olimpíada de 2012. Durante a apresentação dos atletas, os jamaicanos brincaram com o público e fizeram uma rápida coreografia. No aquecimento, Usain Bolt acenava para todos. A surpreendente final teve um resultado inesperado. A Grã Bretanha cruzou a linha de chegada em primeiro com o tempo de 37s47 e bateu um dos favoritos, os Estados Unidos - prata com 37s52. Assim como nos Jogos Olímpicos do Rio-2016, o Japão ficou com a medalha de bronze com a marca de 38s04.

A despedida das pistas deixou o herói emocionado. Logo após a disputa das eliminatórias para a final, ainda pela manhã, Bolt disse que não conseguia externar seus sentimentos. “Não há palavras para descrever como estou me sentindo. Recebo muito apoio do público e agradeço muito por isso.”

É verdade que esse término não foi do jeito que se imaginava, já que o jamaicano ficou com a medalha de bronze na disputa dos 100 metros, no último dia 5, perdendo para os americanos Justin Gatlin (ouro) e Christian Coleman (prata). Mesmo assim, Usain Bolt é o homem mais rápido da história. O jamaicano bateu três vezes o recorde mundial dos 100 metros rasos e também é o recordista dos 200 metros. As duas melhores marcas foram conquistadas no Mundial de Atletismo de Berlim-2009 – o tempo dos 100 metros é o de 9s58 e dos 200 metros é o de 19s19. Ambos ainda deverão durar por vários anos.

A recordação de seus êxitos é inesgotável. Nos 100 metros ele tem três títulos mundiais (Berlim-2009, Moscou-2013 e Pequim-2015) e três ouros em Jogos Olímpicos (Pequim-2008, Londres-2012 e Rio-2016). Tem mais quatro títulos mundiais nos 200 metros (Berlim-2009, Daegu-2011, Moscou 2013 e Pequim-2015), além de uma prata (Osaka-2007). Por sinal, a prova dos 200 metros rasos é a sua favorita, mas ele decidiu não participar para guardar energia para os 100 metros e para o revezamento 4 x 100 – o revezamento, inclusive, traz a única lembrança amarga para Bolt em Olimpíadas. Nos Jogos de Pequim-2008, o time da Jamaica perdeu a medalha de ouro após Nesta Carter testar positivo para doping.

Fenômeno raro no esporte, Bolt sai de cena para se juntar à lendas como Muhammad Ali, Ayrton Senna, Pelé, Maradona, Michael Jordan, Roger Federer, entre outros. A partir de agora, Bolt vai se recuperar da contusão e depois deverá seguir para a Alemanha, onde tem marcados testes no Borussia Dortmund – o jamaicano tem o sonho de se tornar jogador de futebol profissional. É melhor ninguém duvidar de um dos maiores atletas de todos os tempos.

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