'Não ia sair daqui sem o ouro', diz campeã Mayra Aguiar

Gaúcha de 23 anos, da categoria meio-pesado (até 78 kg), se tornou o atleta do País com o maior número de medalhas na competição

AMANDA ROMANELLI, O Estado de S. Paulo

29 Agosto 2014 | 14h37

Mayra Aguiar tem apenas 23 anos, mas desde os 14 está "pegando em quimonos" mundo afora. A gaúcha da categoria meio-pesado (até 78 kg) conquistou o ouro no Mundial de Judô de Chelyabinsk, na Rússia, nesta sexta-feira, e se tornou o atleta do País com o maior número de medalhas na competição. Agora, são quatro, de todas as cores - já havia conquistado a prata em Tóquio (2010) e o bronze em Paris (2011) e Rio (2013).

"Eu já tinha o pódio inteiro no júnior, e no sênior faltava o ouro. Eu não ia sair daqui sem ele, vim para a Rússia com esse objetivo, não ficaria satisfeita se saísse com menos", afirmou a judoca, atleta da Sogipa, do Rio Grande do Sul.

A trajetória de Mayra é tão singular que o seu título mundial júnior, obtido em Agadir (Marrocos), foi conquistado 40 dias depois de sua primeira medalha mundial adulta, no Japão, em 2010. Nesta sexta, portanto, Mayra chegou a oito medalhas mundiais individuais, se também forem contabilizados os dois bronzes (Santo Domingo, em 2006, e Paris, em 2009) e a prata (Bangcoc, em 2008) que ganhou como júnior.
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Para subir ao lugar mais alto do pódio em Chelyabinsk, Mayra "exorcizou" o fantasma Kayla Harrison. A norte-americana é sua principal rival na categoria e, por causa de derrotas contra ela, a brasileira ficou com a prata no Mundial de 2010 (encontraram-se na final) e não pôde disputar a decisão dos Jogos Olímpicos de Londres, em 2012 (lutaram na semifinal). Na Rússia, elas voltaram a se encontrar na briga por uma vaga na final.

Mayra acredita que sua agressividade, desde o início do combate, causou impacto na adversária. "Ela já tinha tirado um ouro meu em um Mundial e em uma Olimpíada, e isso estava me corroendo por dentro. Eu joguei tudo no tatame, comecei muito forte, mas essa tática deu certo. Ela não esperava. Eu saí acabada da luta e tinha pouco tempo para o final, mas minha cabeça estava muito boa."

A rivalidade entre as duas judocas ficou evidente no pódio. Enquanto Mayra e a francesa Audrey Tcheumeo, a quem derrotou na final, trocaram cumprimentos e conversavam após a execução do Hino Nacional Brasileiro, Kayla manteve-se com o semblante muito sério, mesmo tendo conquistado o bronze.

O ouro teve um gosto ainda mais especial para Mayra após o longo processo de recuperação de duas cirurgias realizadas no fim do ano passado, no cotovelo esquerdo e no joelho direito. A dificuldade superada se traduziu nas lágrimas do pódio. "(Ouvir o Hino) sempre me emociona, mas dessa vez foi difícil segurar o choro. Por causa da cirurgia, passei o réveillon com o joelho inchado, mas realmente acreditando que eu iria ganhar essa medalha. Por tudo o que passei, veio um filmezinho e foi o que me emocionou no pódio."

A temporada curta, que além do Mundial teve apenas o Grand Slam de Tyumen em julho (também na Rússia, e também vencido por ela), deve ser completada apenas pelo Grand Slam de Tóquio, em dezembro. A meta, agora, está direcionada para 2016. "Quero ganhar minha medalha de ouro na Olimpíada também", diz a judoca, bronze nos Jogos de Londres em 2012. "Essa caminhada também vai ser dura, mas acho que tem tudo para dar certo. Quando a gente sonha, o sonho fica muito distante, então eu digo que tenho um objetivo, que é conquistar essa medalha. Vou fazer de tudo para deixá-la no Brasil."
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