Nigeriano é a preocupação de Popó

Aliviado por não ter a obrigação de dar revanche para o cubano Joel Casamayor na luta pelo título dos superpenas da Associação Mundial de Boxe, que acumulou com o seu, da Organização Mundial de Boxe, Acelino "Popó" Freitas deu ontem coletiva em São Caetano, onde fará luta-exibição no dia 23, para "promover a paz", com seu irmão Luís Cláudio. A preocupação do campeão agora é com o nigeriano Daniel Atah, seu próximo desafiante pelo título da OMB. "A luta deverá ser em junho ou agosto. Ainda não tenho certeza da data", disse Popó, que está indignado com o confronto. "Ganhei do Casamayor em janeiro. Acho injusto ter de colocar esse cinturão em jogo tão rápido. O mundo do boxe é muito sujo. É complicado partir para um luta obrigatória tão cedo. É a OMB que está pressionando a gente", reclamou o atleta, que quer o combate no Brasil. "Não vou lutar lá fora, não", disse. As negociações iniciais com o nigeriano não foram bem-sucedidas. "É um cara que recebe em torno de US$ 15 mil de bolsa. Meus promotores ofereceram US$ 200 mil e ele recusou. Queria uns US$ 600 mil. Assim não tem condição. Mas deixa ele vir, porque em cima do ringue é que a gente vai ver quem é quem", provocou. Popó foi irônico quando falou sobre a revanche negada para Casamayor, divulgada na segunda-feira pela AMB. "Para lutar pelo título da OMB, fiquei uns dois anos esperando. Foi a mesma coisa quando queria desafiar Casamayor pela AMB. Deixa ele ficar esperando mais uns 15 anos. Vou dar a revanche quando eu quiser." Mais um ´cadê-o-Romário?´ E se o pugilista não sabe muitos detalhes de sua próxima luta, tem certezas sobre futebol. "Felipão, cadê o Romário, Felipão? Convoca o Romário, senão eu nocauteio você", brincou Popó, que ainda opinou: "O torcedor brasileiro pode até estar decepcionado com a Seleção, mas com certeza o torcedor vai ligar a televisão e assistir aos jogos. Os jogadores precisam ter amor à camisa e não ficar jogando com medo de se contundir. Se o pessoal que joga no Exterior jogar igual na Europa, por exemplo, vamos ter até chance de ser campeões do mundo de novo." Popó está há sete meses sem patrocinador, apenas negociando com alguns interessados. "Há sete meses acabou meu contrato com a Globo.com. Sou o único atleta do Brasil com dois títulos mundiais e não tenho patrocínio. É uma falta de vergonha muito grande dentro do nosso País. Mas sempre fui um lutador, dentro e fora dos ringues, e sempre venci." A procura de Popó, segundo ele mesmo, é por um patrocínio de grande porte - como o tenista Gustavo Kuerten. "Acho que mereço pelo que já fiz pelo esporte. Sou um vencedor, que passou por dificuldades como dormir no chão e chegar de um treino após perder um quilo e meio e não ter nada para comer em casa. Graças e Deus venci tudo isso." À mulher, elogios Eliane, mulher do atleta, esteve na coletiva e recebeu elogios: "Desde que me casei (em maio do ano passado), minha vida e carreira mudaram demais. A Eliane foi a primeira pessoa a me peguntar por que eu não tinha uma via do contrato nas minhas mãos, quando ainda estava com meus ex-empresários. Foi aí que vi que algumas cláusulas não me agradavam e comecei a mudar. A Eliane me ajuda muito, principalmente na parte de fazer regime. Só falta treinar de sparring comigo." Sobre próximos resultados nos ringues, o pugilista disse: "Não quero ser melhor e nem me colocar no lugar de ninguém. Só quero trazer alegria para os brasileiros como trouxeram Ayrton Senna e muitos outros." A agenda de Popó em São Paulo está cheia: ontem, além de visitar São Caetano, seria homenageado no Ginásio Baby Barioni durante a rodada da Forja dos Campeões e em seguida partiria para o programa de Adriane Galisteu. Hoje, além de gravar matérias para algumas tevês, vai ao programa de Luciana Gimenez. A volta para a Bahia está prevista para amanhã cedo. Desde que voltou de Las Vegas com os cinturões da OMB e AMB, Popó está de férias em Salvador, mas treinando em sua academia "Popó Mão de Pedra".

Agencia Estado,

06 Março 2002 | 09h41

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