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Pagar pra ver

Antero Greco

A credibilidade da Fifa afundou no mar de lama em que ela mesma se enfiou. Nas últimas décadas, a família degringolou pra valer e muitos de seus integrantes deitaram e rolaram numa infinidade de acordos mequetrefes que lhes forraram os bolsos. A farra do dinheiro deu freada em 2015, após o FBI entrar em cena e prender diversas cabeças coroadas da entidade, e com a queda da cúpula, a começar por Joseph Blatter. Podridão por trás da suntuosa sede em Zurique.

O vendaval moralizante assustou o mundo da bola, levou à assembleia extraordinária de hoje, em que o principal assunto da pauta é a eleição de novo presidente. Mas, pela movimentação dos cinco candidatos, pelas declarações que deram nos últimos dias, pelas promessas que fizeram e pela folha de serviços prestados ao futebol só com muito boa vontade – ou ingenuidade ou interesses – dá para engolir a perspectiva de guinada moralizadora. Paira no ar o cheio de mofo.

O príncipe jordaniano Al-Bin Al-Hussein esbanja generosidade para convencer os eleitores. Na eleição anterior, o projeto de poder dele bateu na trave, ao terminar como segundo colocado. O suíço Gianni Infantino representa a Europa e a candidatura lhe caiu no colo com o afastamento de Michel Platini. Para adoçar a boca do colégio eleitoral, anunciou aumento de 32 para 40 no número de participantes dos Mundiais e se dispõe a oferecer mesadas gordas para a cartolagem.

Salman Al Khalifa tem uma lista de cargos e comissões pronta para distribuir para seus eventuais correligionários. O sul-africano Tokyo Sexwalle diz que dará atenção ao Terceiro Mundo futebolístico e se derrete em elogios ao presidente apeado do trono. Na opinião dele, Blatter mereceria uma estátua por sua obra. O francês Jerome Champagne tem boa plataforma, e por muito tempo foi unha e carne com o establishment derrubado da Fifa.

Peneire e veja se tem algum que se salva. Observe, também, a bancada que definirá o futuro da Fifa. A turma é a mesma de antes, com as mudanças forçadas por renúncias, detenções e processos. O que mudou mesmo na Conmebol? Você sabe? Ninguém sabe. A CBF será representada pelo presidente do momento, o coronel Nunes, até meses atrás singelo mandachuva regional. De uma hora para outra, foi alçado à cadeira principal por manobra de Marco Polo Del Nero e séquito.

Os métodos de convencimento dos eleitores, como tem contado o repórter Jamil Chade, não difere do tradicional, e se concentra em cargos; trocando em miúdos: grana. Os programas de reformas são nuvens de fumaça. A sensação é a de que pouco, para não dizer nada, mudará. Para trazer para o dia a dia daqui, é como se a presidente Dilma Rousseff e o vice-presidente Michel Temer caíssem e, no lugar deles, assumisse Eduardo Cunha. Já pensou?

Você pagaria para ver se as mudanças profundas ocorrerão na Fifa? Eu não. Mas, pelo sugerido, tem gente disposta a pagar... pelos votos.

Fim de sonho. Eduardo Baptista saiu da sombra do pai famoso (Nelsinho Baptista) e tentou voo solo como treinador. Deu-se muito bem no Sport; por isso, despertou interesse do Flu e, em 2015 mesmo, trocou Recife pelas Laranjeiras. Os resultados, no período, decepcionaram e ontem terminou a aventura, com uma demissão conturbada.

Eduardo quis dar o salto de qualidade na carreira, sem antes ter currículo que lhe reforçasse as costas. Agora, terá de refazer o caminho, em equipes de menor expressão. Tomara o tempo o reerga. Não são poucos os casos de técnicos promissores que caíram no canto da sereia e se perderam no mar do futebol.

Obsessão. Valdivia saiu do Palmeiras há mais de meio ano. Mas, pelo jeito, o Palmeiras não sai da cabeça dele. O chileno postou em redes sociais comentário irônico a respeito de problemas médicos de jogadores palestrinos. Valdivia não percebeu que é página virada no clube. Passou.

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