Flávia Guerra/AE
Flávia Guerra/AE

Parque Olímpico de Londres começa a ganhar vida para 2012

Obras estão dentro do prazo previsto e complexo já começa a mudar a cara do leste da capital inglesa

Flávia Guerra, O Estado de S. Paulo

02 Dezembro 2009 | 21h30

A 968 dias dos Jogos Olímpicos de Londres, a sede da festa é um canteiro de obras de encher os olhos. Em visita exclusiva nesta quarta-feira ao Parque Olímpico, o Estado acompanhou o andamento das obras que vão mudar a cara do leste londrino.

 

Localizado no humilde bairro de Stratford, o Parque Olímpico de Londres já dá provas de que o objetivo inicial, e central, do comitê olímpico inglês tem tudo para ser alcançado. "Queremos não só fazer uma bela festa, mas garantir que estas obras sejam relevantes para a população local. Os bairros que circundam o Parque Olímpico estão entre os mais pobres da cidade e merecem esta injeção de investimentos", comentou o chefe das comissões de construção da Vila Olímpica, David Higgins, enquanto mostrava o andamento de instalações como o Estádio Olímpico (praticamente pronto), do complexo Aquático e do Velódromo.

 

Além do legado que as obras deixarão, a palavra de ordem do comitê londrino é a Sustentabilidade. Hoje, após a visita, foi lançado o protocolo de sustentabilidade London 2012. "Mais que lindas instalações, queremos construir algo que exija uma manutenção racional e possível. O carbon free, o uso de materiais recicláveis e do uso racional de energia são nossas prioridades. Vamos dar o exemplo para o mundo. E isso é algo que o Rio tem de ficar atento. Acho que o Brasil tem muito o que aprender com a nossa experiência", declarou David Stubbs, chefe da comissão de sustentabilidade tanto da Vila quando de Londres.

 

Higgins completou: "Queremos muito compartilhar experiência com o Rio. Acredito que podemos trabalhar muito em parceria. Ainda não recebemos nenhuma visita brasileira oficial, mas acredito que isso vai acontecer rápido."

 

A propósito, a empolgação de toda a comitiva que mostrava cada canto do Parque Olímpico era mais do que nítida. Há uma onda de entusiasmo em torno da escolha do Brasil como país sede. Passa a euforia inicial, o que permanece é o nítido desejo de que algo de concreto e a longo prazo seja de fato construído no Rio. "É uma das cidades mais vivas e, ao mesmo tempo, complicadas de se organizar um evento como uma Olimpíada. Creio que o governo brasileiro vai ter muito trabalho, principalmente no quesito transporte, inclusão social e segurança, mas acho que tudo é possível. Nós estamos não só construindo o complexo olímpico mas também reestruturando vários outros pontos da cidade, o sistema de transporte, outros locais de competição. Tudo tem de ser pensado a longo prazo", defendeu Shaun McCarthy, da comissão para uma London Sustentável 2012.

 

Revitalização, sustentabilidade e inclusão social foram os trunfos de Londres para desbancar cidades como Paris na disputa pelos jogos. E, a julgar pelo andamento das obras e pelos projetos que já começam a ganhar corpo, a promessa está sendo seguida a risca. Todas as estruturas temporárias serão reutilizadas para a construção de outros centros esportivos pela cidade. O Estádio Olímpico, o Velódromo, o Centro Aquático, entre outros, contam com uma política de uso de materiais ecologicamente inteligentes, de uma aplicação futura junto à comunidade local e da localização estratégica em uma área que sofre graves problemas de inundação. "Repare que as principais instalações ficam em verdadeiras ilhas entre os rios. Isto exigiu um novo projeto anti-inundação que, no futuro, vai poder ser aplicado em outras áreas da cidade, que atualmente vem enfrentando sérios problemas com as chuvas", comentou Higgins.

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