Popó planeja lutar no Morumbi

Com a camiseta do São Paulo, com os dois cinturões de campeão mundial, da Associação Mundial de Boxe (AMB) e da Organização Mundial de Boxe (OMB) e duas horas antes do previsto, por ter trocado o vôo de Los Angeles para Miami, o boxeador superpena Acelino Popó Freitas desembarcou, nesta manhã de terça-feira, às 6h10, no Aeroporto Internacional de Cumbica, em São Paulo. Feliz pela 32ª vitória consecutiva na carreira, obtida sábado diante do nigeriano Daniel Attah, em Phoenix, no Arizona, Estados Unidos, Popó ratificou seu desejo de lutar no estádio do Morumbi, ainda este ano, provavelmente em dezembro. "Seria algo grandioso para mim poder me apresentar diante de 70 mil ou 80 mil pessoas." Popó foi atleta amador do São Paulo, entre os anos de 93 e 94 e chegou mesmo a morar no estádio do Cicero Pompeu de Toledo. Chegou a dividir quarto com o goleiro Rogério Ceni e garante ter jogado bola com Denílson. Os empresários de Popó, a diretoria do São Paulo e a Federação Paulista de Boxe procuram patrocinadores e arquitetam um grande evento para o fim do ano, com a participação do ex-campeão mundial Éder Jofre. Uma outra opção é o Ginásio do Ibirapuera. A última luta de Popó no Brasil foi em janeiro de 2001, em Brasília. Popó elogiou o trabalho de seus treinadores Ulisses Pereira e Oscar Suarez. "Agora não tenho mais medo de lutar. Estou mais equilibrado. Não preciso correr atrás do nocaute até o quinto ou sexto assalto por temer uma falta de resistência nos últimos roundes." O lutador afirmou que o problema com a balança é coisa do passado. "Não entro mais debilitado no ringue, desidratado, depois de mascar chiclete e sessão de sauna para perder peso 24 horas antes da luta." Popó voltou a elogiar Daniel Attah. "Um adversário chato, manhoso." O brasileiro ainda não sabe qual será seu próximo adversário, mas o ex-campeão Kevin Kelley é uma opção. Nesta quarta-feira, Popó comemora os três anos da conquista do título da OMB. Ele lembra do fato como ninguém. "França, sábado, três horas da tarde, a 1min34 do primeiro assalto, eu coloquei o russo Anatoly Alexandrov na lona." O mês de agosto também é importante para o lutador, pois seu irmão e seu pai também fazem aniversário. Para o futuro, Popó afirmou que além de estar bem física e tecnicamente, o lado espiritual também está forte. "Estou consertando meus erros, feliz por estar ao lado de meus verdadeiros e antigos amigos." Ele diz estar preparado para tudo. Até para a derrota. "Sei que ninguém é invencível. Da mesma forma que estou treinando para seguir campeão, sei que muita gente está me estudando para me derrotar." Em época de eleição, Popó aproveitou para alertar os políticos. "Tenho medo da violência urbana. Acho que neste ano de eleição os políticos deveriam se preocupar em resolver os problemas da segurança e da educação." Só uma coisa parece nocautear facilmente o lutador baiano. O medo de avião. " Só viajo porque não tem outro jeito."

Agencia Estado,

06 Agosto 2002 | 13h14

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