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Por causa de atraso em obras do Rio, COI faz intervenção nos Jogos de 2016

Jamil Chade, correspondente - O Estado de S. Paulo

10 Abril 2014 | 11h 02

Um administrador independente será contratado para monitorar diariamente as construções na cidade

GENEBRA - Diante da ameaça que os atrasos nas obras do Rio de Janeiro já representam para os Jogos Olímpicos de 2016, o Comitê Olímpico Internacional (COI) anuncia uma verdadeira intervenção na preparação da cidade carioca para o evento, que acontece em dois anos,e assume parte significativa do comando da disputa. Em entrevista na Turquia, o presidente do COI, Thomas Bach, revelou uma série de iniciativas para permitir que sua entidade passe a ter um "papel central para coordenar" as decisões do Rio de Janeiro, com a contratação até mesmo de uma consultoria independente para avaliar diariamente o andamento das obras na cidade.

Nos últimos dias, Bach passou a ser pressionado por federações esportivas que denunciaram atrasos preocupantes nas obras no Rio de Janeiro e pediam até mesmo um Plano B para a Olimpíada de 2016. Em uma reunião de emergência, o presidente do COB e seus diretores optaram por uma intervenção.

O alemão tentou explicar que não se trata de uma medida "unilateral" e que as propostas foram apresentadas na noite da última quarta-feira ao prefeito do Rio, Eduardo Paes. "Ele aceitou a proposta", garantiu Bach. Paes havia declarado que a preparação estava "dentro do cronograma", uma avaliação que foi rejeitada pelos demais dirigentes do COI.

Entre as medidas que serão adotadas pelo COI está a criação de um comitê organizador formado não apenas por dirigentes brasileiros, mas também com a participação de membros do governo do País e do próprio COI. Outra medida será a designação de Gilbert Felli, dirigente do Comitê Olímpico Internacional, para viajar de forma regular ao Rio a fim de controlar a situação. Ele tinha uma visita marcada para setembro. Mas a viagem foi antecipada para a semana que vem. Sua primeira reunião já está marcada para segunda-feira com Eduardo Paes e a primeira visita ocorreria dias depois.

FORÇA TAREFA

Bach ainda revelou que o COI contratará um administrador de projetos para acompanhar diariamente as obras no Rio de Janeiro, algo inédito em um evento olímpico. Para completar, três grupos de trabalho serão formados para estudar cada um dos aspectos do evento.

O presidente do COI insiste que a intervenção não será para criticar o Rio ou apontar responsáveis pelo atraso. "Isso não é sobre o passado, É sobre 2016. Temos de olhar para o futuro. E não começar um jogo para culpar os envolvidos. Compartilhamos das preocupações das federações. Uma vez finalizada a cerimônia de encerramento dos Jogos, podemos voltar a essa questão e falar sobre responsabilidades. Mas agora espero que possamos não agir dessa forma irresponsável", disse Bach. "Não vamos ao Brasil ver o passado ou apontar os culpados", garantiu Felli. "Mas queremos ajudar a tomar decisões. Vamos como facilitadores para que possamos solucionar os problemas."

Em 2000, o COI deu um cartão amarelo para Atenas, quatro anos antes do evento. Agora, Bach evita entrar nessa polêmica. "Não é questão de dar um cartão amarelo, mas garantir o sucesso dos Jogos. Ainda acreditamos que Jogos Olímpicos podem ser muito bons e estamos tomando medidas para isso. Se querem isso, precisamos tomar decisões importantes e é isso que estamos fazendo", disse Bach.

VAGO

O alemão foi questionado se poderia dizer com 100% de certeza que o evento seria no Rio de Janeiro. Mas a resposta foi vaga. "Faremos de tudo para fazer um evento com sucesso. Por conta disso, aprovamos essas medidas", explicou, sem mencionar a possibilidade de retirar a sede do Rio. Federações esportivas já pediram um "Plano B" e falam até em levar algumas modalidades para São Paulo.

O COI também está preocupado com a falta de apoio popular ao evento, seguindo os protestos no Brasil por causa da Copa do Mundo. Para tentar reverter essa situação, a entidade vai criar um grupo de trabalho para "engajar a população" no evento. "Isso caberá a Felli", explicou Bach, confirmando que o tema também o "preocupa". "Temos uma boa mensagem ao povo do Rio", disse Bach. "Vamos deixar um grande legado para a cidade. Será um pouco como Barcelona. Haverá um Rio antes e depois dos Jogos, com melhor infraestrutura para os moradores, para os turistas, geramos empregos e até moradia."

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