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Prefeito do Rio critica pressão das federações internacionais e garante Olimpíada

Marcio Dolzan e Sílvio Barsetti - O Estado de S. Paulo

11 Abril 2014 | 05h 00

Eduardo Paes diz que se preocupa apenas com o Complexo de Deodoro, sede de oito modalidades

RIO - No fim da tarde desta quinta-feira, o prefeito Eduardo Paes convocou a imprensa para criticar a pressão que as federações internacionais estão fazendo sobre a cúpula do COI (Comitê Olímpico Internacional) a respeito dos Jogos Olímpicos do Rio em 2016. "O COI esteve aqui recentemente e não vi essa histeria que estamos vendo com as federações internacionais", declarou. Ele reforçou o que dissera na véspera, em videoconferência com membros do Comitê Executivo do COI. "Todos os prazos serão cumpridos e o Rio realizará uma grande Olimpíada em 2016."

O prefeito ressaltou, no entanto, que sua única preocupação no momento é com relação ao Complexo de Deodoro, na zona oeste do Rio. O local vai abrigar oito modalidades nos Jogos, e a licitação para as obras só será lançada na semana que vem. O início das obras está previsto para o mês de setembro. Diplomático, ele disse que vai ser importante a presença de uma comissão do COI no Rio para acompanhar o andamento das obras dos equipamentos olímpicos. Mas falou mais de uma vez sobre o que considerou um "exagero" de algumas federações internacionais e tentou transmitir tranquilidade.

Na quinta-feira, em entrevista ao Estado, o advogado Alberto Murray Neto, ex-integrante do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e da Corte Arbitral do Esporte, disse que a presença no Rio do diretor executivo do COI, Gilbert Felli, "é uma pressão efetiva". "Não digo nem só em relação às instalações olímpicas, mas à cidade que não tem transporte, não tem segurança, com a Baía de Guanabara suja..."

Para ele, os turistas que virão ao Rio também estarão interessados em conhecer a cidade e desfrutar dela. "E acho que o Rio não consegue resolver os problemas em dois anos."

Murray não acredita em Plano B para a Olimpíada, como chegou a ser aventado por dirigentes de federações internacionais. "Com a experiência que tenho do assunto, pelo convívio, depois do contrato assinado (de organização) só muda a cidade-sede se acontecer uma catástrofe, o que não é o caso. Isso é muito mais uma retórica de pressão. Mas, de fato, as condições estão muito precárias em termos de infraestrutura", prosseguiu Murray, neto de Sylvio de Magalhães Padilha, presidente do Comitê Olímpico Brasileiro de 1963 a 1990 e ex-vice-presidente do COI.