Quando o espírito olímpico foi derrotado

Infelizmente, as guerras que não cessaram durante a realização de muitos Jogos

Carlos Eduardo Entini, O Estado de S.Paulo

28 Julho 2012 | 03h05

LONDRES - Na Grécia antiga, uma das regras dos Jogos Olímpicos era que até mesmo as guerras deveriam cessar para que fossem realizados. Essa tradição não vingou nas Olimpíadas dos tempos modernos.

Por duas vezes, conflitos cancelaram eventos já marcados. Em 1916, Berlim sediaria a 6.º edição dos Jogos, mas foi cancelado com a eclosão da Primeira Guerra Mundial. Somente em 1920 voltariam a ser realizados. Em 1940, seria a vez de Tóquio, Mas a invasão da China pelos anfitriões em 1937 mudou a história. A China foi o primeiro país a anunciar o boicote. Por causa da insegurança, a Suíça recomendou o mesmo a outros países.

O Japão reagiu liberando verbas. Mas o inevitável aconteceu. Dois anos de invasão japonesa, sem esperança do fim do conflito e com o boicotes à vista, Tóquio 1940 foi cancelado. Alegou-se falta de dinheiro. Os organizadores optaram por Helsinque, a segunda cidade mais votada na eleição que decidiu por Tóquio. Problema contornado, rumo a Helsinque.

Mas faltou combinar com os russos. A Finlândia vivia ameaça da invasão soviética. Alguns meses antes da realização dos jogos, dezembro de 1939, os Soviéticos invadiram a Finlândia e bombardearam a cidade-sede. Em 4 de dezembro, o Estado anunciou o cancelamento definitivo de Helsinque 1940. Os americanos ainda se ofereceram para sediar, mas o Comitê Olímpico achou inviável enviar atletas europeus para a América. Sem os jogos finlandeses, os sonhos de Roma e Detroit de receberem a Olimpíada de 1944, também acabaram. Com a Segunda Guerra Mundial no auge, o evento só foi realizado 12 anos depois, em 1948.

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