Rebelo garante: jeitinho brasileiro vai salvar Mundial

Ao admitir atrasos na preparação, ministro do Esporte diz que País faz as coisas a seu modo, mas sempre dá certo

EDUARDO BRESCIANI / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 Março 2012 | 03h03

O "jeitinho brasileiro" é a mais nova justificativa para o atraso em obras da Copa de 2014. O ministro do Esporte, Aldo Rebelo, recorreu a essa explicação ontem ao admitir problemas na organização do torneio. Ele garante, porém, que isso não irá atrapalhar a realização dos eventos da Fifa. "O brasileiro tem um jeito próprio de organizar e sempre entrega o que precisa", disse.

Além das obras, outro item que o País precisa entregar é a Lei Geral da Copa, cuja votação deve ficar para depois do feriado da Páscoa, em 10 ou 11 de abril. Líderes aliados admitem que dificilmente será possível contornar a crise na base governista responsável pelo adiamento nesta semana. Pesa ainda no cenário o fato de que na próxima semana a presidente Dilma Rousseff estará em viagem à Índia e o vice-presidente Michel Temer, à Coreia do Sul. Com o vazio dessas lideranças, poucos acreditam numa evolução do processo político.

Cultura do atraso. Aldo tenta se manter tranquilo. Ontem, ele também teorizou sobre o atraso ser problema comum no país. "Nós também temos os nossos problemas civilizatórios. Um deles é o do atraso. A gente atrasa até para sair de casa para o cinema, para o restaurante. É correndo que o menino vai para a aula, está certo? Fica esperando um se aprontando, que não terminou... Então, isso é uma coisa da nossa cultura, mas tudo funciona."

Empolgado, ele afirmou que "até reunião ministerial atrasa" e comparou a Copa do Mundo ao Carnaval. "Quem acompanha a preparação de um desfile de escola de samba acha que aquilo não vai sair, mas todo ano acontece e é um evento de referência."

Na visão de Aldo, um jogo de futebol é a única exceção deste "problema civilizatório". "A única coisa que não atrasa no Brasil, sabe o que é? Partida de futebol. Então, como (a Copa) é um torneio de futebol, acho que o atraso será muito menor." Ele também foi questionado sobre a demora da Câmara em votar o projeto da Lei Geral. Não deu importância. "Esse atraso não vai comprometer o calendário. São compromissos e garantias que podem ter um prazo mais elástico, mas as garantias já foram dadas."

MP em ação. Representantes do Ministério Público adiantam que irão questionar a venda de bebidas alcoólicas nos estádios. O governo federal decidiu patrocinar um texto que apenas suprime uma proibição ao comércio do produto presente no Estatuto do Torcedor. Pressionado pelos governadores, que não desejam ter de resolver a questão, Rebelo afirmou ser isso suficiente para liberar a venda, independentemente de regras estaduais e municipais.

Mas procuradores questionam a tese do ministro. "Com todo respeito ao ministro, tenho dúvida se há essa subordinação das leis neste caso. Não é algo tão tranquilo", diz Cláudio Soares Lopes, procurador-geral do Rio de Janeiro e presidente do Conselho Nacional dos Procuradores-Gerais (CNPG).

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