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Ricardo Prado lembra conquista do recorde mundial dos 400m medley

Alessandro Lucchetti - estadão.com.br

25 Setembro 2012 | 19h 17

Presidente do Conselho de Esportes do CO-Rio se consagrou no Equador, em 82

SÃO PAULO - Ricardo Prado, vice-campeão olímpico nos 400m medley, em Los Angeles-1984, já está envolvido com o planejamento dos Jogos Olímpicos de 2016. Nesta terça-feira, ele foi eleito presidente do Conselho de Esportes, colegiado formado por ex-atletas e treinadores renomados, como Bernardinho e Janeth Arcain. Cabe ao conselho avaliar o processo de estruturação das áreas funcionais dos Jogos, verificando, pela perspectiva dos atletas, o que deve ser corrigido ou aperfeiçoado.

O ex-nadador, que já exerceu o cargo de gerente de competições esportivas do Comitê Olímpico Brasileiro, por mais atarefado que esteja, lembra, a cada dia 2 de agosto, uma de suas maiores conquistas: o recorde mundial dos 400m medley. Este ano, ele poderia ter comemorado o 30º aniversário da façanha. Poderia, mas não o fez.

"Eu deveria fazer alguma coisa. Nos últimos anos, a melhor celebração foi em 2007. Eu estava trabalhando na organização do Pan, e minha equipe de trabalho elaborou um pôster e me parabenizou. Foi bem legal".

Nem todas as lembranças, no entanto, são das melhores. O recorde de Pradinho, um de seus apelidos na época, foi registrado durante a quarta edição do Mundial de Esportes Aquáticos, em Guayaquil, no Equador. O nadador, então com 17 anos, melhorou a marca que pertencia ao norte-americano de origem porto-riquenha Jesse Vassalo (4min20s05). O paulista de Adamantina cravou 4min19s78. Hoje, o recorde pertence a Michael Phelps: 4min03s84, estabelecido durante os Jogos de Pequim-2008.

Prado tinha chances de obter um bom resultado também nos 200m medley, mas as condições no Equador eram adversas. "O hotel em que nos hospedamos não era bem frequentado. Ficava em frente à rodoviária de Guayaquil. Eu consegui chegar à final dos 200m medley, mas já estava debilitado, porque a alimentação lá era péssima, e terminei a prova em oitavo lugar".

O paulista desembarcou em Congonhas com o ouro no pescoço e uma grande micose na barriga. Pior sorte teve Djan Madruga, um dos grandes nomes da equipe brasileira (bronze nos Jogos de Moscou-80 no 4x200m livre), que contraiu tifo.

O feito de Prado foi presenciado por um único repórter brasileiro. Trata-se de Guilherme Delamare, que editava a revista Nadar. Filho do também jornalista Júlio Delamare, que dá nome ao complexo aquático contíguo ao estádio do Maracanã, Guilherme era um batalhador, nas palavras de Prado, da cobertura de um esporte que recebia escassa atenção da mídia.

A obtenção do recorde não foi uma surpresa. Um ano antes, o brasileiro havia feito o segundo melhor tempo do mundo. Orientação adequada não lhe faltava: ele treinava em Mission Viejo, na Califórnia, sob a batuta de Mark Shuber, o treinador de Mark Spitz, maior nome das piscinas até o surgimento de Phelps.

Rick (apelido recebido de Shuber) só lamenta que seu feito não tenha sido capitalizado pela natação brasileira. "Surgiu um talento no interior de São Paulo, mas a natação brasileira não soube aproveitá-lo. As condições e a estrutura da modalidade não melhoraram naqueles tempos. Hoje é diferente. A natação está mais inserida no dia a dia. Existem forças financeiras que fazem o esporte caminhar para a frente, querendo ou não".

Prado não figurou como detentor do recorde por muito tempo. Em maio de 84, o alemão-oriental Jens-Peter Bernd nadou em 4min19s61. Como a República Democrática Alemã boicotou os Jogos de 84, o caminho de Prado rumo ao ouro ficou mais aberto. Mas o canadense Alex Bauman nadou mais rápido que o paulista. O único ouro do Brasil em 84 foi do meio-fundista Joaquim Cruz, nos 800m.

Nos tempos em que era comentarista da ESPN, Prado não hesitava em apontar as insuficiências que enxergava na performance de Thiago Pereira. "Ele teria melhores resultados se as provas fossem de 300m medley ou de 150m medley", avaliara, referindo-se ao pobre desempenho do nadador fluminense no estilo crawl, o último. Já cansado, por não ter dosado adequadamente as energias, Pereira soçobrava. Em Londres, o progresso do nadador que recebeu o título de "Mr Pan" foi evidente. "O Thiago realmente mereceu a prata desta vez. Foi esplêndido, perfeito. Fez um tempo (4min08s86) excepcional na era pós-trajes".

Antes de retomar a rotina no Comitê Organizador dos Jogos do Rio, Prado pede para que seja enviado, por e-mail, o link desta matéria. O ex-nadador de 1,68m gosta de relembrar os tempos em que era um gigante.

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