Assine o Estadão
assine

Esportes

Buenos Aires

Risco à vista

Corinthians e Palmeiras entram em campo hoje para desafios de sempre da Libertadores. O campeão brasileiro tenta a sorte diante do Cerro Porteño, em Assunção, com respaldo de vitórias nas duas rodadas anteriores. Pode permitir-se o luxo do empate ou de eventual derrota. O campeão da Copa do Brasil recebe o Nacional, no Allianz Parque, num momento de crescimento. Não é esnobismo acreditar em triunfo em casa, como ocorreu na partida com o Rosario.

0

Antero Greco

09 Março 2016 | 06h06

Mas, do trio de ferro paulista na corrida pela taça, a atenção se concentra no São Paulo, que amanhã enfrenta o River Plate. Como perdeu para o The Strongest, no Pacaembu, na estreia, já se desenha panorama nebuloso para a rapaziada de Edgardo Bauza. Novo tropeço – aceitável, em circunstâncias normais – coloca em risco a classificação para as oitavas de final, mesmo com mais quatro jogos por disputar.

Diretoria, comissão técnica e torcedores perceberam o terreno escorregadio em que o time pode meter-se. Há o temor de aventura abreviada na edição de 2016 do torneio sul-americano. Pela sequência de obstáculos (na última rodada, topa com The Strongest em La Paz) e sobretudo pelo retrospecto, do desempenho que se tem visto. O São Paulo até agora oscila demais, não engrena, derrapa. É pouco confiável.

Há ansiedade na cúpula são-paulina, sentimento que ficou claro na entrevista de Gustavo Oliveira, antes do embarque para Buenos Aires. O diretor de futebol admitiu preocupação com o momento e distribuiu cobranças, que se estendem para os jogadores. O executivo recorreu ao tradicional lugar-comum de que, em fase delicada como a que atravessa o clube, é necessária doação adicional por parte de todos. Não falou em sangue, suor e lágrimas. Ainda bem, porque seria batido e oco. Mas, em resumo, pediu empenho.

Apelo retórico, pois se supõe que um profissional se doe ao máximo na tarefa que lhe passem. Caso contrário, não está à altura do cargo que exerce e não merece permanecer na empresa. Toda vez que cartola ou treinador vem a público e recorre ao discurso do empenho extraordinário, soa menos como incentivo e mais como cobrança. Sem contar que deixa no ar a sensação de que nos bastidores nem tudo vai bem.

Inconcebível imaginar que jogador precise de empurrão para cumprir a parte dele. Ou tem condições de vestir uma camisa de peso – e a do São Paulo é das mais pesadas – ou vai cantar em outra freguesia. Na verdade, muitos não têm mesmo estofo para aguentar o tranco. Mas fica a pergunta: é culpa deles ou de quem os contratou? Quantos “reforços” chegam numa agremiação, por muita grana, e não passam de enrolação, fiasco, conversa fiada? Revelam-se promessas fraudulentas e são mandadas para escanteio pelo torcedor. Qual dirigente assume a mancada?

O São Paulo no papel não é barca furada. Também não tem craques a sair pelo ladrão, como fazem supor certas declarações oficiais. É mediano e retrato da mentalidade que predomina no Morumbi há tempos.

Escrevi aqui algumas vezes e repito: o Tricolor de agora lembra Corinthians e Palmeiras de épocas tumultuadas, de paz intermitente e crises persistentes. Está na hora de baixar a crista e reencontrar o rumo.

Assim não dá. Semana sim, semana não, aparece campanha para acabar com violência no futebol. Daí, no Gre-Nal do domingo, com três minutos de bola a rolar, o colorado William desfere cotovelada em Bolãnos e lhe quebra o maxilar. No dia seguinte, o presidente do Inter classifica reclamações do Grêmio como choradeira, coloca em dúvida a contusão e diz que a atitude do jogador do time dele foi normal. É dose.

Estrela arrependida. Maria Sharapova pisou na bola, ao ser pega recentemente em antidoping. Teve a dignidade de chamar para si a responsabilidade e as consequências. Errou e assumiu. Melhor assim do que transferir a culpa para pequenos laboratórios ou farmácias de província.

publicidade

Comentários