Daniel Zappe/MPIX/CPB
Daniel Zappe/MPIX/CPB

Rodrigo Parreira cai na chegada e conquista bronze no Mundial de Atletismo Paralímpico

Brasileiro cruza a linha extenuado após lutar para conquistar a medalha nos 200 metros, classe T36

Glauco de Pierri, enviado especial a Londres*, O Estado de S.Paulo

17 Julho 2017 | 18h27

A vida do goiano Rodrigo Parreira, de 22 anos, começou com uma queda - quando estava grávida, sua mãe sofreu um acidente e caiu no chão. O que seria comum para milhares de pessoas foi quase fatal para o bebê, que por conta disso teve paralisia cerebral e nasceu com o lado esquerdo do corpo com movimentos prejudicados. Nesta segunda-feira, no Mundial de Atletismo Paralímpico de Londres, Rodrigo caiu mais uma vez - mas dessa vez, foi por que cruzou a linha de chegada extenuado após lutar muito para conquistar a medalha de bronze nos 200 metros, classe T36.

Após terminar a prova, Rodrigo sofreu uma queda feia e ficou na pista se contorcendo de dor. Três integrantes do Comitê Paralímpico Internacional foram até ele com uma cadeira de rodas. Foi só ali que ele ficou sabendo que havia conquistado a medalha de bronze. A dor pela queda, desta vez, se transformou em alegria.

"Foi uma prova muito disputada, difícil. Eu treinei para o salto em distância e entrei na final apenas na raia 7, porque não tinha um tempo classificatório bom. Eu caí na chegada e não acreditava que tinha chegado em terceiro, achei que tivesse sido quarto, o que já estaria de bom tamanho. Foi uma prova muito dura! Eu estou muito feliz, não estou cabendo dentro de mim de tanta alegria", disse Rodrigo na zona mista do estádio Olímpico de Londres.

A categoria do brasileiro é específica para competidores com deficiência motora por conta de paralisa cerebral. Ao assistir a prova, fica evidente para o torcedor que os para-atletas se esforçam muito para completá-la. Na final disputada pelo brasileiro, o ouro ficou com o australiano James Turner, que fez o tempo de 24s09 e cravou o novo recorde mundial da prova, e a prata com o polonês Krzysztof Ciuksza, com 25s04 - Rodrigo conseguia a terceira posição com um impressionante sprint nos últimos 100 metros, onde ultrapassou três rivais e cruzou a linha com o tempo de 25s19, apenas dois centésimos à frente do malaio Mohamad Puzi.

AGENDA 

A programação da manhã de terça-feira, 18 de julho, será de luta por medalhas para dois brasileiros. Primeiro, às 6h30 (horário de Brasília), André Rocha participa da final do lançamento de disco, classe T52. Três minutos depois, será a vez de Izabela Campos começar a disputa, mas na categoria F11.

*O repórter viajou a convite do Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB).

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