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Ronaldinho, a charada

Antero Greco

Ronaldinho Gaúcho é um enigma e um fenômeno. Faz tempo que divide opiniões - pra ser exato desde a Copa de 2006, aquela em que afundou junto com os outros integrantes do quadrado mágico da seleção, formado também por Ronaldo, Kaká e Adriano. Às vezes, Robinho entrava no time, sem alterar muito o ritmo da música.

Ainda assim, não sai de cena e rende artigos, comentários e avaliações sem fim. Neste espaço, perdi a conta das vezes em que me referi ao moço - ora, a elogiar as virtudes inegáveis e o futebol requintado como em raras ocasiões vi, ora a lamentar o sumiço do encanto, talvez abduzido por uma nave extraterrestre em alguma rambla, aqueles passeios de Barcelona que parecem calçadões.

Os toques de genialidade mais recentes do gaúcho aconteceram com a camisa do Atlético-MG, depois de passagem medíocre pelo Flamengo e consequente ruptura desgastante. Em BH, Ronaldinho ficou à vontade, teve importância sobretudo na campanha do inédito título da Taça Libertadores de 2013. Colocou o Galo na boca do mundo e deu as cartas na capital mineira.

Na atual temporada, negou fogo até perceber que a solução seria cair fora, se possível de maneira elegante. E foi o que aconteceu, com obrigado pra cá do presidente Kalil, obrigado pra lá e pra sempre no coração, por parte de Ronaldinho. Foi embora como ícone de uma fase inesquecível, embora breve.

Há quem jure que Ronaldinho sentiu o baque da esnobada que levou da seleção, ao perceber que Felipão não o chamaria para a disputa do Mundial em casa. Reação semelhante à que o teria derrubado quatro anos atrás, ao notar que Dunga nem de longe cogitava da presença dele na África do Sul.

Mesmo assim, com 34 anos rodados, badalados e vividos em intensidade máxima, custa a apagar-se o brilho do astro, intenso na primeira metade dos anos 2000, a ponto de render-lhe regalias e contratos milionários no Barcelona, além do prêmio de melhor do mundo da Fifa em 2004 e 2005.

Aquela fase era de encher os olhos de qualquer um que aprecie o joguinho de bola. Ronaldinho se mostrava tão espetacular que foi aplaudido de pé no Santiago Bernabéu em um clássico com o Real Madrid. Saudado, reverenciado e ovacionado pela torcida do Real!

A charada atual é saber até quando se sustenta a chama do craque. E o quebra-cabeça se compõe de peças com pontos de interrogação. Qual a capacidade física dele? Que tipo de rotina lhe cabe como atleta profissional? Qual o peso numa equipe? Com que frequência pode entrar em campo? Quanto tempo aguenta num jogo? Qual a paciência para dedicar-se a treinos, concentrações, cobranças, pressões - enfim, atividades comuns aos boleiros?

Essas questões devem ter batucado a cabeça dos dirigentes do Palmeiras nos últimos dias. Sem contar, claro, o apetite salarial voraz que seu agente e irmão demonstra nas negociações com eventuais interessados, independentemente da maré. Assim, finou a terceira tentativa de fazer com que vestisse o verde e branco.

Não falta quem crave que Ronaldinho Gaúcho é um ex-atleta em atividade. Não está longe disso, pois sabe mascarar os estragos da idade com toques e passes incomuns. Taí: por ter muito, imenso, enorme talento arranca suspiros de plateias com um dos números que tira da cartola.

Como por aqui há carência de virtuoses, não é difícil cair nas graças do público. Quem decifra esse enigma? Joguei a toalha lá na Alemanha, abri mão de entendê-lo. Agora, só fico à espera de uma das bruxarias que faz com arde eterno zombador. Onde o veremos? Sabe-se lá.

Copa do Brasil. No embalo do centenário, o Palmeiras tem o Atlético-MG pela frente na competição nacional em que ainda pode ter esperança de sucesso. A situação no Palestra, no entanto, anda delicada; por isso, o técnico Ricardo Gareca deixará titulares de fora. Escolha complicada, não dá pra criticá-lo. Mas arriscava apostar na Copa.

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