Ronaldinho decide

Na quarta-feira Muricy Ramalho escalou o volante Adriano para acompanhar Ronaldinho Gaúcho. As marcações individuais se tornaram raras no futebol mundial, mas ainda aparecem de vez em quando em gramados brasileiros.

Paulo Calçade, O Estado de S.Paulo

22 Outubro 2012 | 07h01

Mais do que uma homenagem ao passado de um craque, a decisão do treinador santista se deu pelo bom momento do jogador. E pela impossibilidade de detê-lo apenas com o posicionamento de seu meio de campo, mesmo escalado com três jogadores capazes de acompanhá-lo: Adriano, Henrique e Arouca.

Mas pode ser pouco. Se controlar o espaço, o meia ainda é capaz de fazer o time funcionar com passes precisos e decisivos. Depois de 32 rodadas, está claro que dificilmente Ronaldinho deixará de colocar seus parceiros duas ou três vezes em situação de marcar o gol.

Seus movimentos em campo são diferentes. Corre menos, ocupa setores específicos, mas enxerga demais. Se tiver uma equipe organizada, preparada para sustentá-lo, pode ser a saída para muitos problemas. Depende dele.

Faltou pouco para a disputa pelo título terminar ontem, no Estádio Independência. Mesmo quando andava em campo com a camisa do Flamengo, alternando bons e maus momentos, R49 sempre deixava claro poder jogar mais.

O cabelo continua o mesmo, mas com a camisa do Galo trata-se de outro jogador. As marcas de Ronaldinho estão nos três gols, mais diretamente no primeiro, de Jô, e no terceiro, de Leonardo Silva, com bolas que saíram de seus pés. Bolas que o Fluminense não conseguiu impedir.

Diferentemente de Adriano, do Santos, na quarta-feira, o meio de campo do Flu ofereceu mais espaço para ele. Fatal para quem ainda domina o passe e os lançamentos, que têm sido um drama na vida de muitas equipes. Ao contrário das "tijoladas" que vemos por aí, surge a bola no pé. Ou na cabeça. Perfeita.

E assim o Atlético de Cuca evitou o encerramento prematuro da competição. Ainda existe vida no Brasileirão, mas precisamos discutir mais sobre o estilo que tomou conta do nosso futebol. A exemplo de Ronaldinho, todos nós podemos trabalhar mais e melhor.

Basta observar o ambiente da partida em Belo Horizonte, lembrava a atmosfera competitiva do Campeonato Inglês, por exemplo: estádio lotado, torcedores bem próximos ao gramado e uma intensidade incomum na disputa de cada jogada. Sim, podemos sair da mesmice, podemos tornar o confronto entre dois grandes clubes brasileiros numa experiência inesquecível.

A diferença na tabela entre Fluminense e Atlético, que poderia ter ido a 12 pontos, agora está em seis. Foi apenas a terceira derrota do time de Abel Braga no campeonato. Para perder o título, ainda terá que se esforçar demais, mas nada tira o valor, a beleza e o encanto da vitória do Galo de Ronaldinho Gaúcho, hoje merecer de todos os elogios.

Quem não costuma enxergar final de campeonato nos pontos corridos perdeu uma grande oportunidade neste domingo.

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