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Sem Neymar, só coletivo coloca seleção na final

Paulo Calçade

A seleção brasileira necessitava de um ponto de partida. Contra a Colômbia, o time de Felipão jogou mais organizado, um futebol próximo da exigência coletiva que a grandeza da competição impõe. Mas, no momento em que prever a evolução desse processo já não parecia um exagero, o grupo perdeu Neymar.

Com a cabeça livre de alguns demônios, devidamente trabalhados, a seleção brasileira conseguiu libertar parte de seu futebol. Além do fato de, pela primeira vez na Copa, um adversário ter sentido o peso de jogar como visitante e não local, como vinha acontecendo.

Felipão possui várias opções contra a Alemanha. Pode reconduzir Luiz Gustavo ao meio de campo, depois da suspensão, e aumentar a marcação. Pode colocar Willian na função para manter o time no ataque. Pode usar Ramires e até Hernanes, além de Bernard. Pode um monte de coisas, menos ter Neymar de volta.

A camisa 10 não estará fisicamente no campo, mas sua ausência poderá ser mais uma daquelas faíscas de que a equipe tanto precisa. Depende de como os jogadores vão assimilar a perda e operar a reconstrução em tão pouco tempo.

Os momentos mais importantes e intensos da seleção brasileira, na Copa do Mundo, foram experimentados na Granja Comary, entre a partida contra Chile e o retorno de Fortaleza, depois da Colômbia.

Havia tensão demais no ambiente da concentração. Perigo confirmado em 120 minutos de arrepiar contra os chilenos, menos pelo futebol e mais pelo descontrole emocional de uma equipe pouco experiente em Mundiais.

Ninguém poderia imaginar que a coragem da Copa das Confederações se transformaria em pavor agora, diante de tamanha responsabilidade. Então, o que fazer depois do Chile?

Na fase em que vacilos não são perdoados, o time precisava de uma ignição para acender a capacidade de competir. Momento em que a psicóloga Regina Brandão foi decisiva, pois já não havia mais tempo para grandes transformações nos gramados da Granja. A revolução estava em cada jogador, como agora.

Será mais difícil ganhar o Mundial sem Neymar. Mas para os místicos e supersticiosos existe uma boa notícia: esse enredo é Felipão do começo ao fim. Dramático.

Quanto ao lance que tirou Neymar da Copa, Zuñiga não se importou com as consequências. Não disputou a bola, a informação mais importante para conduzir uma análise técnica e não emocional sobre o fato.

A redonda não estava ao seu alcance. Deu alguns passos, ganhou velocidade, impulsão, altura e saltou sobre o inimigo, abatendo-o com uma joelhada nas costas. Não agiu com maldade, como não age quem pratica racha na porta de uma escola. O que seria, então?

A maneira como o jogador colombiano tratou o caso, depois do confronto, na zona mista, foi sua confissão. E deixou a Fifa em situação delicada. Afinal, quem puniu a mordida de Luis Suárez com tanto rigor, o que fará agora? O detalhe dessa história é que a culpa é da própria Fifa, patrocinadora de arbitragens brandas e criminosas.

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