Sem Popó, ex-campeões apontam lacuna no boxe brasileiro

A aposentadoria de Acelino Popó Freitas, anunciada pelo baiano de 30 anos na madrugada desta quarta-feira, pode deixar um vácuo no boxe nacional. Na análise de ex-campeões mundiais, não há, de imediato, outro atleta que seja seu claro sucessor. ?Eu não estou vendo alguém para sucedê-lo. Pode ser que existam alguns lutadores aparecendo pelo Brasil. Mas, com toda sinceridade, não sei quem seria essa pessoa?, diz Eder Jofre, campeão mundial dos galos de 1960 a 1965 e em 1973, na categoria dos penas. Para ele, esse ?desconhecimento? tem motivo claro. ?Cadê as lutas semanais no Ibirapuera? E o boxe na televisão?? Para Miguel de Oliveira, campeão mundial dos médio-ligeiros em 1975, a falta de estrutura do boxe brasileiro impede que um novo campeão seja identificado com clareza. ?Talentos nós sempre tivemos. Mas enquanto não houver uma estrutura, fica difícil. Por isso torço para que o Popó pelo menos continue no esporte como empresário?, declara Miguel. ?Agora, os brasileiros precisam lutar no exterior para serem reconhecidos.? Foi o que aconteceu com Valdemir Pereira, o Sertão, candidato mais próximo a ?substituto? de Popó. Aos 31 anos, o lutador tornou-se campeão mundial dos penas da Federação Internacional em janeiro. Quatro meses depois, perdeu o título por desclassificação para o americano Eric Aiken. ?Popó nunca deixará de ser um campeão e sempre ficará uma lacuna. Mas o Brasil tem bons lutadores que, por falta de divulgação, o povo não conhece?, atesta Servílio de Oliveira, medalha de bronze na Olimpíada do México (1968). ?Quando o Sertão venceu, acharam que ele tinha surgido do nada. Mas estava batalhando há pelo menos dez anos?, lembra o empresário do lutador. Servílio, inclusive, anuncia o nome de sua nova aposta: o superpena Adaílton ?Precipício? de Jesus. Também baiano, com 28 anos, e um cartel de 16 lutas (venceu todas, 15 por nocaute), Adaílton fará sua segunda luta no EUA, dia 13, contra o nicaragüense Octavio Narvaez. Já Sertão volta aos ringues em 25 de novembro, contra adversário indefinido.

Agencia Estado,

05 Outubro 2006 | 19h44

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