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Inovação Olímpica

Sistema promete ajudar Brasil a revelar novos craques no esporte

- Atualizado: 20 Janeiro 2016 | 14h 06

iSports é 'olheiro' eletrônico desenvolvido por estatísticos

Em um País de mais de 200 milhões de habitantes como o Brasil, quantos possíveis esportistas são perdidos pela falta de identificação? Para evitar isso, um trio de estatísticos da UFSCar (Universidade Federal de São Carlos) e da USP (Universidade de São Paulo) desenvolveu um sistema que promete ajudar treinadores, olheiros e professores de educação física de uma maneira geral a descobrirem potenciais atletas de elite. Por meio dessa plataforma, jovens que praticam esportes são comparados em vários quesitos variáveis e os mais destacados, além de possíveis fraquezas apontadas.

"Não se tem uma estrutura sistemática para essas descobertas. Então, é nesse sentido que esse sistema funciona. É você colocar a luz em um individuo que nunca vai ter a oportunidade de ser descoberto de outra forma", explica um dos idealizados do projeto, o Prof. Dr. Francisco Louzada. Ao lado de dois de seus alunos, Anderson Ara e Alexandre Maiorano, ele criou em 2010 o iSports. Nas mãos de especialistas, diversos dados dos atletas são colocados na plataforma, e por meio de um processo comparativo, os melhores são destacados em relatórios detalhados, sempre dependendo da necessidade da equipe técnica. 

"Existem vários testes que podem ser aplicados e são totalmente customizados, de acordo com as necessidades de um determinado grupo de profissionais", explica o Prof. Louzada. O iSports funciona também mais ou menos como uma rede social, segundo os idealizadores. Além de permitir a comparação de atletas cadastrados pelo mesmo treinador, é possível compartilhar os resultados com outros técnicos, avaliando o desempenho com esportistas de outras localidades. Assim, é possível perceber se um potencial craque não se destacou somente em sua turma, mas também comparando atletas do País inteiro, quiçá do mundo. 

Plataforma que promete revelar jogadores já é utilizada por escolinha do Santos

Plataforma que promete revelar jogadores já é utilizada por escolinha do Santos

"Começamos a perceber que um jovem atleta demanda muito tempo a ser descoberto. Pode ser que tenha um Neymar que seja descoberto cedo, mas muitos não são. Pode-se demorar 12, 13 anos de trabalho com esse esportista. E muitos deles não são descobertos. Eu tinha colegas que eram excelentes em futebol e nunca foram avaliados. Lembrando das necessidades de um País tão grande como o nosso, sem um quantidade tão grande de profissionais para detectar talentos esportivos, eles acabam se perdendo", diz o estatístico.

IMPLEMENTAÇÃO

Atualmente, o iSports ainda não está sendo utilizado em larga escala, apesar de existirem consultas de interessados. Hoje, apenas uma escolinha de futebol do Santos, em São Carlos, aproveita a plataforma. "Foi essa escola que nos forneceu dados inicialmente para testar o sistema e agora estamos retornando a eles inicialmente para que possam utilizar", conta o Prof. Louzada. 

Apesar de ser inicialmente utilizado para revelar jovens craques para o futebol (o que pode contribuir com a seleção olímpica, que busca a tão sonhada medalha de ouro), é possível utilizar o sistema para analisar qualquer modalidade esportiva: "O protótipo está pronto no módulo de futebol, mas pode ser utilizado por diversos esportes". A fácil utilização também é um destaque, segundo Louzada: "Você não necessita ter um software instalado na sua máquina, precisa apenas de conexão com a internet e uma senha para entrar no sistema."

Mais do que trabalhar com clubes, com seus próprios métodos de descobrir atletas, o plano é justamente estimular o descobrimento de novos valores nos cantos onde a vista dos olheiros não chega: " Vamos pensar, se um jovem do interior do Ceará, do Amazonas ou mesmo do interior de São Paulo, não tem um profissional com esse tipo de prospecção, ele passa despercebido. Você perde oportunidade de revelar um talento esportivo. O que eu gostaria é ter os alunos da rede pública, que as crianças de rede pública tivessem a oportunidade de estar passando pelo sistema e detectar nossos valores no futuro", completa

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