Daniel Teixeira/Estadão Conteúdo
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Tite evita comentar prisão de Nuzman: 'Posso, quero, mas não devo'

Treinador admitiu que tem opinião formada sobre o assunto, mas não vai externá-la para priorizar a seleção

Almir Leite, Ciro Campos e Leandro Silveira, O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2017 | 20h51

O técnico da seleção brasileira, Tite, evitou comentar nesta segunda-feira a crise que assola o esporte nacional, escancarada com a prisão de Carlos Arthur Nuzman, o presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), acusado de envolvimento em esquema para compra de votos no processo de escolha do Rio como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. O treinador apontou que tem opinião formada sobre o assunto e gostaria de externá-la, mas declarou que não deve fazê-lo nesse momento, se concentrando no seu trabalho à frente da seleção.

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"Eu tenho opinião sobre tudo que o aspecto político tem, sobre o que aconteceu agora em relação ao COB. Eu tenho opinião, mas quero ficar focado no meu trabalho, ser um exemplo no que eu faço. Não estou me isentando, mas não me dou o direito de externar porque tenho uma prioridade, a seleção brasileira, minha conduta enquanto técnico da seleção. Eu posso? Posso. Eu quero? Quero. Mas eu não devo. Pelo menos no momento", afirmou em entrevista coletiva na véspera do duelo com o Chile pela rodada final das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2018, no Allianz Parque, em São Paulo.

De qualquer forma, Tite criticou a cultura esportiva do Brasil ao ser questionado sobre a possibilidade de seguir mais tempo à frente da seleção - ele fez a sua estreia no dia 1º de setembro de 2016, na vitória por 3 a 0 sobre o Equador. Assim, ele admitiu "cobiça" pela situação de Joachim Löw, que trabalhou inicialmente como assistente técnico da Alemanha, em função assumida em 2004. Dois anos depois, assumiu o comando da equipe, que conduziu ao título da Copa do Mundo de 2014.

"Pensar, eu pensei, mas ainda é utopia. Tem de crescer muito a mentalidade de uma forma geral para essa estruturação acabar acontecendo. Temos que evoluir enquanto técnico, dirigentes e formadores de opinião para o torcedor entender que tem de ter continuidade. Dizem que inveja e cobiça são diferentes. Inveja é querer que o outro não tenha, cobiçar é querer ter também. Eu cobiço, sim, o que vejo na Alemanha e em outras seleções. Mas é prematuro", disse.

Tite também voltou a apontar o que vê como legado de técnicos que o antecederam na seleção brasileira, casos de Dunga e Luiz Felipe Scolari, mesmo que o trabalho deles tenha terminado sob intensas críticas. Além disso, aproveitou para novamente comparar a situação do futebol nacional com o da Alemanha.

"Um técnico acaba emprestando coisas boas e ruins para o outro. Eu tenho legado bom. O Renato Augusto já estava afirmado, o sistema já estava empregado, o Alisson já era o goleiro. A base da equipe teve sucesso em 2013 e insucesso em 2014. Vamos ser justos, ela foi campeã da Copa das Confederações fazendo 3 a 0 na Espanha. Trago problemas também, uma má posição na tabela e uma pressão absurda, desumana, mas também coisas boas. Essa noção de continuidade se perde no futebol. O Joachim Löw já era auxiliar técnico do antecessor, isso facilita o trabalho. Tomara que a gente possa chegar nisso", concluiu o comandante da seleção.

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