Robson Fernandjes / Agência Estado
Robson Fernandjes / Agência Estado

Vice-presidente do COB tinha R$ 95 mil e US$ 5 mil em espécie em casa

Contra André Richer, no entanto, foi expedido apenas mandado de busca e apreensão

Constança Rezende, Estadão Conteúdo

05 Outubro 2017 | 13h10

A Polícia Federal encontrou, nesta quinta-feira, R$ 95 mil e US$ 5 mil (aproximadamente R$ 15,7 mil) em espécie na casa do vice-presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), André Richer, alvo da segunda fase da Operação Unfair Play. A ação é desdobramento da Lava Jato no Rio e investiga irregularidades na escolha do Rio como sede da Olimpíada de 2016. Também foram encontrados na casa de Richer documentos e dez relógios da marca de luxo Rolex. Contra ele não foi cumprido mandado de prisão, só de busca e apreensão.

+ Nuzman atraiu empresas e dinheiro público para o COB

+ Nuzman encomendou dossiê sobre opositor a ex-secretário de Cabral

O presidente do COB, Carlos Arthur Nuzman, e seu braço-direito na entidade, Leonardo Gryner, foram presos. Nuzman é acusado de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa, e também de ter escondido provas e tentado atrapalhar as investigações. O esquema de corrupção estava afinado com o liderado pelo ex-governador Sergio Cabral (PMDB), segundo o Ministério Público Federal (MPF).

A procuradora Fabiana Schneider, em entrevista sobre a operação, disse que causou surpresa o fato de a essa altura da Lava Jato estes crimes ainda sejam cometidos. "A gente está demonstrando que o Brasil não é mais um paraíso de bandidos e corruptos. A operação serviu para prender pessoas que pensavam que nunca poderiam responder por seus atos. Enquanto os medalhistas buscavam a tão sonhada medalha de ouro, dirigentes do COB guardavam seu ouro na Suíça", afirmou, em referência a 16kg de ouro que Nuzman mantinha num cofre (estimadas em R$ 2 milhões pelo MPF).

O procurador Rodrigo Timóteo disse que a operação pode ter movimentado bem mais que os US$ 2 milhões (R$ 6,3 milhões) que o COB teria repassado ao senegalês Papa Diack como propina. "Vimos e-mails que provam que Papa Diack solicitava mais valores, que foram quitados por outros fornecedores em outras contas fornecidas por ele. Pelo menos mais US$ 500 mil (R$ 1,57 milhão) temos certeza que foram quitados, entre 2009 e 2010."

Segundo o MPF, Nuzman teve crescimento "exponencial" de seu patrimônio entre 2006 a 2016: 457%. Depois da primeira fase da Unfair Play, há um mês, ele retificou sua declaração de imposto de renda. Na nova declaração, incluiu dinheiro vivo e as barras de ouro. "Não foi uma retificação espontânea, e sim dirigida, para dar aparência de licitude para um bem que não tem lastro", disse a procuradora Fabiana.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.