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Voo de Cruzeiro

Antero Greco

O Cruzeiro paira tranquilo, soberbo e sem turbulências na liderança do Brasileiro. Não só faz a parte que lhe cabe, como recebe ajuda da instabilidade dos mais diretos perseguidores. Escrevo diretos por força de expressão; o campeão de 2013 abre vantagem folgada sobre os demais. Com 42 pontos, tem 8 à frente do Inter, 9 para o São Paulo e 10 sobre o Corinthians. Nesse ritmo, a turma de Marcelo Oliveira festeja o título em novembro.

Se isso ocorrer, não venham com a conversa mole de que o sistema de pontos corridos é monótono, sem graça, etc. Não se combate competência com casuísmos. O Cruzeiro joga como quem conhece a força que tem e atropela rivais. Os outros que tratem de apertar o passo, se não quiserem conformar-se com prêmios de consolação como o vice e vaga na Libertadores.

O Inter aproveitou a chance no jogo com o Palmeiras. Depois de derrotas seguidas, ganhou por 1 a 0 no sábado à noite, no Pacaembu, mas ainda vê o topo com binóculo. O Corinthians voltou a negar fogo, em casa, no 1 a 1 com o Flu, e o São Paulo teve interrompida ascensão com o 1 a 1 com o Figueirense.

O problema corintiano está na vocação para economizar na dose de emoção. Se, por um lado, leva pouquíssimos gols, o que demonstra mérito no sistema defensivo, por outro marca menos do que deveria, sinal de inapetência para o ataque. Parece que se acostumou, nos anos de comando de Mano, Tite, e Mano de novo, a comportar-se com sovinice ofensiva.

Como em diversas competições deu certo a equação, instintivamente o método foi assimilado. O clássico com o Flu comprovou a tendência. No primeiro tempo, o Corinthians esteve com pé no freio, mal incomodou Kléver, sentiu ausência de Guerrero. Além disso, Lodeiro foi decepcionante na função de substituir Petros na armação.

Melhor para o Flu, que soube tocar a bola, não apressou o ritmo, apostou em contragolpes e abriu o marcador com pênalti cobrado por Fred. Houve controvérsias no lance: Gil teria ou não tocado em Wagner? Conforme o ângulo da jogada, cabe interpretação para o sim e para o não. Pelo sim, pelo não, Paulo Henrique Bezerra apontou a cal. Arbitragem confusa, por sinal, pois anulou gol legal do Fluminense.

O Corinthians acordou na segunda metade. Mano tirou Lodeiro, colocou Renato Augusto e a equipe cresceu. Foi ousada, se impôs como se espera de quem joga em casa. Romarinho empatou, Romero mandou bola na trave, Kléver fez defesas importantes. Enfim, ficou próximo da virada. A obviedade: por que não jogou assim desde o início? Eis questão que incomoda também a torcida. Tem mais: de que adianta ter defesa menos vazada e colecionar empates? Serve para os amantes de estatísticas - e para afastá-lo da ponta.

Brecada com a qual o São Paulo também topou em Santa Catarina. O desfalque da dupla aviária Ganso/Pato, além do uruguaio Álvaro Pereyra, influi no rendimento. Ainda assim, houve compensação, com a boa movimentação de Kaká, com oportunidades criadas e barradas pela segurança do goleiro Tiago Volpi.

Pelas circunstâncias, não foi resultado desastroso, nem vergonhoso, porque o São Paulo vinha com sequência de cinco vitórias no Brasileiro (não conto os 2 a 1 para o Criciúma pela Sul-Americana). Na corrida pela hegemonia, no entanto, deu uma esfriada, já que o Cruzeiro funda piso no acelerador e não para.

Solidariedade e... derrota. Torcedores e jogadores do Botafogo foram simpáticos com Aranha, antes do clássico no Maracanã. O goleiro recebeu apoio na campanha contra o racismo e foi um dos melhores em campo. Mas não evitou a derrota por 1 a 0. O Santos não alça voo no campeonato; fica só no banho-maria.

Sem noção. Em Porto Alegre, torcedores da tribuna norte do estádio do Grêmio fizeram coro de "chora macaco", antes do intervalo da partida com o Bahia. É provocação contra o Inter. Mas que hora inconveniente!