Sim Chi Yin/The New York Times
Sim Chi Yin/The New York Times

Wada investigará acusações de doping sistemático no esporte chinês

Revelações partiram de Xue Yinxian, médica que cuidou de diversas seleções nacionais chinesas nos anos 80 e 90

Estadão Conteúdo

23 Outubro 2017 | 13h50

A Agência Mundial Antidoping (Wada) anunciou nesta segunda-feira que investigará as acusações divulgadas por uma rede de televisão alemã sobre um esquema de doping sistemático no esporte chinês. De acordo com a denúncia, diversos atletas do país se beneficiaram do uso de substâncias proibidas em competições internacionais entre as décadas de 1980 e 1990.

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"As alegações foram trazidas por uma médica chinesa, Xue Yinxian, que declarou ter sido responsável por diversas seleções nacionais da China durante as décadas em questão", explicou a Wada nesta segunda.

Xue Yinxian chegou à Alemanha recentemente procurando asilo político para ela e sua filha. Em entrevista à rede de TV ARD, ela garantiu que mais de 10 mil atletas foram atingidos pelo esquema de doping, inclusive diversas crianças e adolescentes, de até 11 anos.

A médica explicou ainda que os responsáveis pelo esquema deixavam claro que quem fosse contra o doping era considerado "uma ameaça ao país". "Qualquer um que fosse um perigo para o país está hoje na prisão", completou.

Aos 79 anos, Xue Yinxian disse ter perdido seu emprego na seleção chinesa de ginástica depois de se recusar a tratar atletas com substâncias proibidas antes dos Jogos Olímpicos de Seul, em 1988. "Nos anos 1980 e 1990, os atletas chineses fizeram uso extensivo de doping. As medalhas estavam banhadas em doping. Todas as medalhas internacionais deveriam ser canceladas", afirmou.

A médica disse não se sentir mais segura em sua cidade natal, Pequim, desde 2012, quando ela fez sua primeira acusação sobre o esquema. Após ser dispensada pela federação nacional de ginástica, ela seguiu trabalhando em divisões inferiores do esporte, mas alegou ter se sentido culpada anos depois pelo efeito causado pelas substâncias nos jovens.

A Wada garantiu que vai investigar "se este sistema de fato prevaleceu nestas décadas". "Primeiramente, uma inteligência independente e um time de investigação vão iniciar o processo para coletar e analisar informações avaliáveis em coordenação com parceiros externos", explicou a entidade.

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