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Fabrice Coffrini/AFP

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Rio 2016

Na festa do adeus, ícones brasileiros encerram os Jogos Olímpicos no Maracanã

Depois de uma irretocável festa de abertura, cerimônia de encerramento tem clima de alto-astral

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Ubiratan Brasil, enviado especial ao Rio ,
O Estado de S.Paulo

21 Agosto 2016 | 22h19

Os olhos sorriam porque a boca precisava gritar. Depois de 19 dias de competições, a Olimpíada do Rio termina em clima de alto-astral, na noite destes domingo, no Maracanã, com muita dança, música e o espírito de carnaval. Depois de uma irretocável festa de abertura, a cerimônia de encerramento tentou aplacar a saudade já instalada na cidade com a valorização do espírito carioca, ou seja, aquele que, mesmo diante de adversidades, sabe manter o entusiasmo.

Figura emblemática na abertura, o aviador Santos Dumont surgiu novamente na festa deste domingo (para desespero dos americanos que não o aceitam como Pai da Aviação), agora na contagem regressiva de dois momentos: o início da cerimônia e o fim da Olimpíada. Criador do relógio de pulso, Santos Dumont foi recebido pelo chorinho Odeon, de Ernesto Nazareh. As boas-vindas foram completadas por uma enorme imagem do Pão de Açúcar, desenhada no palco que, por sua vez, trazia as famosas curvas do calçadão de Copacabana. Natureza e ocupação urbana – outra referência da abertura, reafirmada no encerramento: a necessidade de se manter um adequado equilíbrio.

Para evitar um didatismo chato, o assunto foi tratado à base de música, com Martinho da Vila homenageando grandes compositores (como Noel Rosa, Pixinguinha e Braguinha) ao cantar os clássicos Carinhoso e Pastorinhas. A melodia das canções serviu de ponte para o primeiro ato cívico da festa, a execução do Hino Nacional do Brasil. Cumprida a obrigação, a festa recebeu seus principais convidados – atletas das 207 delegações tomaram as cadeiras postadas no gramado. As bandeiras foram carregadas por medalhistas, como o canoísta Isaquias Queiroz, representando o Brasil.

Jovens pedem um ritmo animado, o que foi providenciado pela música eletrônica do DJ Dolores e a Orchestra Santa Massa, além do DJ Mika Mutti, que fundiu a sonoridade eletrônica com percussão de raiz. Sim, era preciso não se esquecer da referência brasileira, homenageada por Roberta Sá interpretando Carmen Miranda. A Pequena Notável, de fato, exibia as curvas e as cores que orgulham o Brasil, detalhes lembrados ainda pelo tecido de renda e pela elegância das obras do paisagista Burle Marx.

Com todos atletas em cena, a festa de encerramento foi usada para o lançamento do Canal Olímpico, plataforma digital gratuita que vai exibir programação própria e também eventos esportivos ao vivo. A primeira ação foi mostrar um vídeo com atletas olímpicos dançando.

Emoção é um elemento essencial em uma festa de despedida. Como a lembrança de atletas já mortos. A reverência veio acompanhada do poema Saudade, criado por Arnaldo Antunes. A palavra, aliás, foi projetada na plateia em diversos idiomas. Emocionante também foi relembrar as conquistas dos atletas ao longo da Olimpíada em imagens no telão.

DESPEDIDA

Os prefeitos do Rio, Eduardo Paes, foi vaiado enquanto Tóquio revelou que a tecnologia será seu forte: animações mostraram exemplos dos 33 esportes em disputa e a reprodução do beira-mar de Tóquio. Ponto alto foi a participação do primeiro ministro japonês, Shinzo Abe, como um Mario Bros viajando por um túnel por dentro da Terra até chegar ao Rio. 

Ao discursar, o presidente do COI, Thomas Bach, disse que o Brasil “animou o mundo em tempos difíceis para todos”. Mas a festa deixou dúvidas sobre quem pagará pelo evento, além de uma clara indicação de que recursos públicos serão usados para bancar o déficit. O dinheiro representa a quebra de um promessa de que a Rio-2016 não usaria recursos do Estado, em um momento de rombo fiscal, desemprego e recessão.

O momento era de festa e o Rio se despediu com sua principal festa: o carnaval. Mas o domingo de despedida teve um indisfarçável gosto de quarta-feira de cinzas.

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