Jean Christophe Bott/AP
Jean Christophe Bott/AP

Após Rio-2016, COI admite que modelo de escolha de sedes olímpicas está esgotado

Thomas Bach, presidente do COI, admitiu que 'ficou caro demais' para as cidades se apresentarem

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S.Paulo

11 Julho 2017 | 14h01

O Comitê Olímpico Internacional (COI) decidiu escolher, de uma só vez, as sedes dos Jogos de 2024 e 2028, num reconhecimento de que seu modelo enfrenta sérios problemas e que terá de ser reformado na próxima década. Nesta terça-feira, a entidade votou por dar os dois eventos para Los Angeles e Paris, com a ordem de quem virá primeiro sendo decidido em setembro. Mas, acima de tudo, a decisão permite que o COI inicie uma reavaliação de seu modelo, já que a próxima edição a ser examinada seria apenas a de 2032.

A decisão, segundo delegados do COI, é um reconhecimento de que o movimento olímpico terá de mudar se quiser sobreviver. Para os Jogos de 2024, apenas duas cidades concorriam ao evento e, para 2028, ninguém demonstra interesse, enquanto nos últimos anos mais de uma dezena delas abandonaram o processo de candidatura.

Sem cidades atraídas pelo evento, a opção estratégica do COI foi a de declarar tanto Paris como Los Angeles como vencedoras. Assim, cada uma ficará com uma edição e, ao mesmo tempo, a entidade "compra" uma década para passar por mudanças.

No ano passado, o COI deixou claro que os problemas que enfrentou no Rio de Janeiro foram inéditos. Apesar de um faturamento recorde, a entidade viu o Comitê Organizador do Rio-2016 terminar o evento com um déficit milionário. Nem Atenas em 2004, com todos seus problemas, fechou com prejuízo. Hoje, os escândalos de corrupção tomaram conta do debate sobre diversas instalações.

Na comunidade internacional, o que já era uma hesitação de diversas cidades em se candidatar se transformou em um forte movimento contrário. Locais como Oslo, Estocolmo, Saint Moritz, Munique, Boston, Toronto e outras optaram por se retirar de processos de escolha no COI ou de abortar planos, diante da resistência das populações às candidaturas, que geram custos normalmente muito altos.

Thomas Bach, presidente do COI, admitiu que "ficou caro demais" para as cidades se apresentarem, o que passou a gerar uma forte reação popular contrária ao evento, principalmente em países democráticos. A partir de agora, a meta do COI é a de mudar os critérios de exigências às cidades, evitando imposições, e ouvindo o que cada realidade é capaz de realizar.

ESCOLHA

A única dúvida que permanece se refere à ordem de quem sediaria o evento de 2024 e 2028. Em Paris, que sediou os Jogos de 1924, ninguém esconde que a cidade seja a primeira e, assim, marcaria o evento de 2024 como o centenário da Olimpíada que a capital francesa abrigou anteriormente. No caso de Los Angeles, há quem defenda um evento em 2028, justamente para esperar o fim do mandato de Donald Trump.

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