Brasil 'abaixo de zero' quer vaga no bobsled na Olimpíada de Inverno

Equipe vai bem na Copa América e se aproxima da vaga em competição na Coreia do Sul, em fevereiro

Olga Bagatini, especial para O Estado de S. Paulo

16 Novembro 2017 | 07h00

Quando recebeu o convite para a seleção brasileira de bobsled, em 2000, o decatleta Edson Bindilatti mal conhecia o esporte. Logo esbarrou em uma dúvida: como o Brasil poderia promover uma modalidade de inverno, em que um trenó desliza sobre gelo? Quase vinte anos depois, as metas do time brasileiro são ousadas: conquistar uma vaga nos Jogos de PeyongChang, na Coreia do Sul, e, na competição, ocupar um lugar entre as dez primeiras equipes.

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Além dos resultados expressivos no atletismo, Bindilatti tinha o sonho de participar de uma Olimpíada. Como sabia que teria mais chances em um esporte menos popular, decidiu enfrentar o medo de altura. “Não gosto de balão e montanha-russa. Não pulo de bungee jump de jeito nenhum. Como topei descer em um trenó a 150km/h? Na primeira vez fui rezando, mas foi amor à primeira vista”, disse ao Estado.

Não demorou muito para o atleta realizar seu sonho olímpico. Em 2002, ele fez parte da equipe que disputou a Olimpíada de Inverno de Salt Lake City. O time ainda era amador e sofria com a falta de apoio da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo (CBDG), mas conseguiu terminar a competição em 28º lugar. O enredo lembra o filme Jamaica Abaixo de Zero, que narra a aventura de atletas jamaicanos nos Jogos de Inverno. Foi esse filme que Eric Maleson, então piloto da seleção, indicou ao Bindilatti como “introdução ao bobslead, lá em 2000.

Após a frustração em Turim-2006, quando o trenó tombou durante uma prova, e os problemas políticos de 2010, quando o time ficou fora dos Jogos de Vancouver, o bobsled do Brasil alcançou um feito inédito em Sochi-2014. Pela primeira vez, a seleção se classificou tanto na categoria Four-Man (quarteto) quanto na Two-Man (dupla). Porém, os equipamentos obsoletos atrapalharam e a equipe terminou em 28.º lugar.

Neste ciclo olímpico, Bindilatti é o piloto da seleção que pleiteia uma vaga em PyeongChang-2018. Com mais incentivo e estrutura – que incluem um trenó mais moderno e a inauguração de uma pista de treinos no Brasil –, a equipe nacional vem somando ótimos resultados na Copa América.

O Four-Man, composto por Bindilatti, Odirlei Pessoni, Edson Martins e Rafael de Souza, conquistou o quarto lugar na estreia da etapa de Whistler, no Canadá, e foi campeão da segunda prova. Os pontos aproximaram o time verde e amarelo da vaga nos Jogos na Coreia do Sul, em fevereiro.

“Tivemos duas treinadoras britânicas que fizeram o time crescer muito, a CBDG comprou trenó novo, inaugurou a pista. Então veio o técnico Zé Moraes e aprimorou nossa parte física. Também fechamos parceria com um time dos EUA que treinou nossa ‘coreografia’ para entrar no trenó. A evolução é clara”, avalia Bindilatti.

Os treinamentos para a temporada começaram em maio. Os atletas fizeram um trabalho duro para ganhar peso, o que faz o trenó descer na pista com mais velocidade. Diante das melhorias, Bindilatti sonha alto nos Jogos de 2018.

“O objetivo é conseguir a vaga e ficar entre os dez primeiros em PyeongChang. Estamos preparados para enfrentar qualquer time”, projetou o piloto.

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