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Brasil anuncia ao COI corte de R$ 900 mi no orçamento dos Jogos

- Atualizado: 02 Março 2016 | 06h 55

Organização vai cortar 12% para manter custo em R$ 7,4 bilhões

A Olimpíada do Rio sofreu um corte de R$ 900 milhões no orçamento, consequência da crise econômica do Brasil. Detalhes sobre a medida serão apresentados hoje ao Comitê Olímpico Internacional (COI), em Lausanne. Os responsáveis brasileiros pelos Jogos vão mostrar que conseguiram equilibrar os gastos com a receita, mas tiveram de abrir mão de vários projetos. O corte nos investimentos irritou dirigentes de várias modalidades que serão atingidas.

No total, R$ 7,4 bilhões serão gastos no Rio de Janeiro, sem contar as obras de infraestrutura da cidade. Para chegar a esse valor, porém, cerca de 12% dos custos inicialmente programados foram eliminados.

Os principais cortes foram realizados em instalações esportivas e na eliminação de construções temporárias. Mas outras obras foram afetadas. O Metrô, por exemplo, vai operar apenas para levar os passageiros de Ipanema para a Barra, local dos Jogos, sem parar em todas as estações. A quebra de promessas da Rio-2016 não foi bem recebida por organizações esportivas.

Legado da Barra (1.18 milhão de m2). A Pista de Atletismo terá padrão olímpico e uso compartilhado por atletas profissionais e jovens. Alguns móveis da vila dos atletas vão para o alojamento da pista, que será construída após os jogos

Legado da Barra (1.18 milhão de m2). A Pista de Atletismo terá padrão olímpico e uso compartilhado por atletas profissionais e jovens. Alguns móveis da vila dos atletas vão para o alojamento da pista, que será construída após os jogos

No Itaquerão, por exemplo, os cortes estão relacionados com as estruturas que seriam montadas para os dez jogos dos torneios de futebol. O hipismo também já deixou claro que quer garantias de que o evento, em Deodoro, não será afetado.

A arquibancada flutuante na Lagoa Rodrigo de Freitas está definitivamente descartada. Para a Federação Internacional de Remo, que contava com os Jogos para garantir sua receita, o abandono do projeto significa também um importante prejuízo financeiro. Haverá espaço para apenas 6 mil espectadores, ante um plano original desenhado para 14 mil. Em Londres, a capacidade foi de 25 mil.

Christophe Rolland, presidente da Federação Internacional de Remo, já indicou que “entende” a crise no Brasil. Mas criticou o fato de a decisão ter sido tomada sem consultar o grupo. Segundo ele, a entidade teria opções a propor se tivesse sido informada antes.

Os responsáveis pelos esportes aquáticos também se mostraram irritados com o Rio. O Maria Lenk conta com três piscinas, mas o ideal seria ter uma a mais. As competições não devem ser afetadas. Mas o que preocupa é a agenda para os treinos de atletas de saltos, nado sincronizado e polo aquático. 

PÃO DE QUEIJO

Cortes ainda foram promovidos no tratamento que os dirigentes receberão. Coquetéis foram reduzidos e, no lugar de canapés de luxo, serão servidos pão de queijo e alternativas mais baratas. 

No “ranking’’ das prioridades, os atletas ficaram em primeiro lugar, com a melhor e mais variada comida. Consultores foram contratados para orientar a forma de preparação para atletas muçulmanos, orientais e de todas as regiões do mundo. Mas os dirigentes terão de se contentar com a mesma refeição do restante da força de trabalho dos organizadores. 

Na quarta-feira, uma reunião já foi realizada entre os brasileiros e o COI para afinar o discurso para hoje. Um das cobranças que o Rio-2016 sofrerá é nas obras do velódromo. Carlos Arthur Nuzman, presidente do COB, vai admitir que estão atrasadas, mas que ainda há como recuperar o tempo perdido.

Outro ponto delicado será o do Metrô, considerado por membros do COI como “ fundamental’’. “Sem metrô não teremos público no evento’’, alertou ao Estado o vice-presidente do COI, Craig Reedie. “Não há opção. Essa obra precisa ocorrer’’, insistiu.

Prevista para custar R$ 1 bilhão, a obra da Linha 4 conseguiu apenas uma liberação de R$ 422 milhões do BNDES. O governo do Estado tentou pressionar a presidente Dilma Rousseff para acelerar os empréstimos. Mas os valores não teriam sido transferidos. 

Hoje, ainda faltam 300 metros de túnel para serem cavados e muitas das estações estão atrasadas. O resultado é que o metrô não deve estar operando para a população até agosto e deve apenas servir fazendo o trajeto entre Ipanema e Barra. Para driblar o problema, a linha não vai parar em todas as seis estações previstas. 

Para o Comitê Rio, “mais importante do que o valor que foi cortado é o fato de que o Comitê tem um orçamento equilibrado e vai realizar os Jogos sem onerar a sociedade, pois não está recebendo nenhum centavo de dinheiro público’’.

 

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