Kim Jogn-Hi / Reuters
Kim Jogn-Hi / Reuters

Candidatura de Pyeongchang é suspeita de compra de votos para sediar Olimpíada

Clã Diack, suspeito em casos de corrupção na escolha de Rio e Tóquio como sedes, estaria envolvido novamente

Jamil Chade, correspondente em Genebra, Estadão Conteúdo

10 Abril 2018 | 13h22

Patrocinadores que apoiavam a candidatura da cidade sul-coreana de Pyeongchang teriam operado uma campanha secreta para oferecer aos membros do Comitê Olímpico Internacional (COI) incentivos em troca de seus votos para que a cidade asiática recebesse os Jogos Olímpicos de Inverno de 2018.

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As revelações foram ao ar nesta terça-feira, pela South Korean Broadcaster (SBS), uma das principais redes de televisão da Ásia, e aponta para o envolvimento direto da Samsung, maior financiadora do evento realizados neste ano. Os dados divulgados, segundo a emissora, foram obtidos por procuradores de Seul.

Os detalhes surgiram por conta da investigação sobre políticos da Coreia do Sul. O processo, segundo a TV, revelou como uma lista de 27 membros do COI estavam dispostos a apoiar o projeto de Pyeongchang, em troca de acordos comerciais e contratos.

A lista, porém, teria sido costurada pelo governo, pelo patrocinador e com a ajuda de Papa Massata Diack, filho do ex-presidente da Associação Internacional das Federações de Atletismo (IAAF, na sigla em inglês), Lamine Diack, e preso por corrupção. O clã Diack é suspeito de ter vendido os votos em pelo menos mais dois eventos olímpicos: Rio-2016 e Tóquio-2020.

No caso da cidade carioca, a colaboração entre procuradores franceses e brasileiros acabou levando à queda de Carlos Arthur Nuzman, organizador dos Jogos do Rio e ex-presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB).

Apesar de ser uma das marcas mais conhecidas da Coreia do Sul, a Samsung é também patrocinadora do COI e, portanto, teria de adotar uma postura de neutralidade nas concorrências entre as cidades que querem receber os Jogos.

De acordo com a reportagem da TV coreana, pelo menos 12 dos 27 membros suspeitos do COI tinham origem africana. Alguns deles votariam na rival Annecy, na França, na primeira rodada de votações. Mas prometiam se aliar aos asiáticos caso a cidade nos Alpes fosse derrotada. Na votação em 2011, Pyeongchang recebeu 63 votos, contra apenas 25 para Munique e sete para os franceses.

No caso de Papa Diack, ele receberia pelo menos US$ 12,5 milhões (aproximadamente R$ 42,8 milhões) caso os contratos com os membros do COI fossem fechados.

O presidente da Samsung, Lee Kun-Hee, era um dos membros do COI até 2017. Mas já esteve envolvido em outros escândalos de corrupção em seu país de origem. Seu filho, Jay Yong Lee, assumiu a multinacional. Mas foi indiciado há dois meses por conta das investigações sobre propinas pagas à presidente da Coreia do Sul, Park Geun-Hye. Ela foi alvo de um impeachment e, na semana passada, foi levado para a prisão, onde cumprirá uma sentença de 24 anos.

A SBS, porém, aponta que obteve copias de 137 e-mails em que executivos da Samsung e Papa Massata Diack debatiam como convencer os membros do COI a apoiarem a candidatura sul-coreana. O africano prometia o votos deles.

RESPOSTAS

O COI se limitou a apontar que as novas revelações serão incluídas nas investigações que a entidade realiza sobre a família Diack. Mas não se pronunciou nem sobre o envolvimento da multinacional e nem sobre seu processo de escolhas de sede."O COI está apoiando as autoridades francesas, na condição de parte civil, em suas investigações contra Lamine Diack", disse a entidade. O COI também insiste que Lamine Diack "já perdeu seu cargo de membro de honra em 2015".

Em um comunicado, a multinacional sul-coreana rejeitou ter participado de qualquer pagamento de propina. "A Samsung jamais esteve envolvida em qualquer atividade ilegal de lobby por Pyeongchang", disse. Segundo ela, os acordos com a IAAF eram "legítimos".

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