Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Carlos Robles escolhe o Brasil e sonha com os Jogos de Tóquio

Filho de mãe brasileira, velejador faz dupla com Marco Grael e espera representar o País na classe 49er

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

07 Janeiro 2018 | 07h20

Carlos Robles é um dos poucos velejadores do mundo que teve a chance de treinar com Robert Scheidt e que forma parceria com um Grael, sobrenome famoso da vela brasileira, na classe 49er. Ele faz dupla com Marco, irmão da campeã olímpica Martine e filho de Torben, um dos maiores nomes da modalidade e dono de cinco medalhas nos Jogos. E toda essa vivência com ‘lendas’ do esporte surgiu por persistência do rapaz.

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Nascido na Espanha, Robles é filho de mãe brasileira. “Meu avô veio para cá quando tinha 18 anos e morou em São Paulo por 50 anos. Então, seus filhos, que são todos brasileiros, voltaram para a Espanha depois dos 20 anos. Meu pai é espanhol, sempre morei lá, mas tenho dupla nacionalidade e foi uma opção velejar pelo Brasil. Tive problema na Espanha para encontrar parceiros ou alguém com os mesmos objetivos que eu”, conta o atleta, que tem o sonho de chegar aos Jogos de Tóquio.

O contato com Marco Grael foi feito e ele recebeu o convite para treinar no Rio, como um teste. Seu parceiro tinha disputado os Jogos de 2016, ao lado de Gabriel Borges, que decidiu velejar com Scheidt. “Falei com o Marco, ele disse para eu vir para o Rio, para testar a dupla, e deu certo”, diz. “Ele aprendeu a velejar quando tinha 5 anos de idade e com um dos melhores professores do mundo, que é seu pai, o Torben. Eu aprendo muito com ele, um velejador bem experiente.”

A dupla também passou um tempo na Itália, treinando com Scheidt – o velejador já descartou continuar na caminha olímpica na 49er. “Foi muito bom. Treinávamos juntos lá no lago de Garda e era um treino muito produtivo, compartilhando informações e aprendendo com um cara que é uma lenda”, afirma. “Na vela só vai um para a Olimpíada, mas acho que ainda era muito cedo para ter rivalidade. Era uma parceria de um ajudar o outro.”

No final de julho, Marco Grael e Carlos Robles vão tentar garantir a vaga do Brasil na classe 49er no Mundial de Vela, que será disputado em Aarhus, na Dinamarca. Esse é o principal objetivo da dupla, que em agosto ficou em 20.º lugar no Mundial, mas com apenas oito meses de treinamento. “Como atleta, pensei onde seria o local mais indicado para aprender mais. Estou ganhando experiência”, explica. Agora, eles sabem que pequenos detalhes podem fazer a diferença para a dupla chegar longe junta.

Por isso, Robles leva na memória uma importante lição que aprendeu com Scheidt. “É preciso nunca se dar por vencido. Esteja atrás, ou machucado, sempre tem de dar 100% até o fim. Inclusive nos treinamentos. Foi essa forma de ser que fez ele chegar tão longe”, conclui o rapaz de 22 anos, sedento por aprender com os melhores no Brasil.

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Filhos movem velejadora Fernanda Oliveira atrás da sexta Olimpíada

Arthur, de seis meses, e Roberta, de quatro anos, são as inspirações da atleta, que faz dupla com Ana Barbachan

Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

07 Janeiro 2018 | 07h02

A velejadora Fernanda Oliveira vai tentar chegar à sua sexta Olimpíada seguida na classe 470. Uma das atletas mais experientes da seleção brasileira de vela já voltou aos treinos após o nascimento de seu filho Arthur há seis meses. Ela esteve em Sydney (2000), Atenas (2004), Pequim (2008), quando ganhou uma medalha de bronze ao lado de Isabel Swan, Londres (2012) e Rio (2016).

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“Essa é a tentativa da sexta Olimpíada. A diferença é que eu tenho dois filhos para fazer a gestão da família junto com a campanha. Para os Jogos do Rio eu já tinha a Roberta, agora tem ela e o Arthur, mas a vantagem é que sigo com a mesma dupla. Conversei com a Ana Barbachan e optamos por continuar. Acho que será um ciclo de bastante desafio, com os Jogos longe de casa, no Japão. Isso tudo vai ser diferente para gente”, comenta a atleta.

Ela não é um caso isolado na vela. A própria Fernanda conta que outras velejadoras da classe 470 decidiram ter filhos depois dos Jogos do Rio, tornaram-se mães e já estão retornando ao esporte. Aos 37 anos, ela sabe que tem condições de competir com suas adversárias. “A experiência ajuda bastante. Não estou numa fase em que dá para ser considerada velha para a 470. Claro que existem velejadoras mais novas, outras mais velhas e experientes, mas a idade não prejudica”, diz, admitindo que é preciso cuidar do preparo físico.

Para os Jogos de Tóquio, ela sabe que a caminhada é longa, mas garante que tem um estímulo em casa com a filha mais velha se interessando pelo esporte. “A Roberta já entende tudo. Quando acabou os Jogos Olímpicos no Rio, ela virou para mim e mostrou que entendia tudo direitinho. Ela pergunta se ganhou, quantos barcos chegaram na frente.”

Na última edição da Olimpíada, em casa, ao lado de Ana Barbachan, ela ficou na oitava posição. A dupla brasileira é competitiva internacionalmente e vem mantendo bons resultados. Agora Fernanda vai em busca de uma nova participação nos Jogos, desta vez com a família ampliada. O que poderia ser uma dificuldade a mais para muitos atletas é uma motivação extra para ela.

“Por isso que acho importante ter a minha vida pessoal, não deixar de ter os meus filhos e tentar voltar à competição. Claro que tenho de ter uma compreensão gigante da Ana, que veleja comigo, outra do meu marido, enfim, tem de ter toda uma estrutura para fazer essa roda girar. Mas a ideia é que consiga me concentrar a maior parte do tempo no que eu preciso fazer para ter um desempenho melhor”, conclui.

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