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Clubes anfitriões esperam legado após os Jogos Olímpicos

Receber delegações garante reformas e intercâmbio técnico

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Paulo Favero e Marcio Dolzan

14 Março 2016 | 00h00

A Olimpíada será uma grande oportunidade para alguns clubes brasileiros e universidades que possuem uma boa estrutura de treinamento. As delegações estrangeiras já estão negociando e acertando espaços exclusivos para fazerem suas aclimatações antes dos Jogos do Rio. E muitos clubes já olham para o dinheiro que vai entrar como uma chance para preparar futuros atletas para as edições de 2020 e 2024.

É o caso do Pinheiros, Flamengo, Paineiras, Hebraica, Clube Naval Charitas e Minas Tênis, só para citar alguns. Nenhum deles revela quanto vai receber, pois existe um contrato de confidencialidade entre as partes, mas estima-se que o Comitê Olímpico Chinês pagará cerca de R$ 12,6 milhões para o Pinheiros, enquanto os Estados Unidos gastará R$ 5,4 milhões para ficar com algumas modalidades no Flamengo.

"A verba será utilizada para garantir o sucesso da operação. Isso inclui as intervenções necessárias em nossas instalações para atendermos as 14 modalidades da delegação chinesa, compra de equipamentos, operação e logística de alimentação, e contratação de pessoal ou serviços especializados das diferentes áreas envolvidas, caso necessário", diz Roberto Cappellano, presidente do Clube Pinheiros.

Cezar Roberto Leão Granieri, presidente do Sindicato dos Clubes do Estado de São Paulo (Sindi-Clube), explica que os clubes paulistas são os maiores formadores de atletas olímpicos e podem se lucrar com a presença dos estrangeiros em suas sedes. "São diversos os benefícios para essas agremiações, e podem ser mensurados de muitas formas. Em alguns casos, há contrapartidas financeiras, que poderão ser direcionadas para investimentos, como a compra de equipamentos e ampliação da estrutura existente. Outro aspecto importante, que costuma fazer parte dessas parcerias, é a possibilidade de trocar conhecimento, que gera um ganho inestimável no aspecto técnico para nossos atletas, por meio dessa convivência."

No Rio, o Flamengo firmou parceria com o Comitê Olímpico norte-americano e está reformando boa parte de sua sede na Gávea para receber atletas de basquete, vôlei, handebol, rúgbi e ginástica artística. Os três ginásios estão passando por obras, e o investimento vem todo dos Estados Unidos. O clube não confirma valores, mas o Estado apurou que o investimento norte-americano é de aproximadamente US$ 1,5 milhão. O montante vai para um caixa à parte das demais receitas e é revertido para o projeto olímpico.

"O Flamengo queria modernizar suas instalações, e está aproveitando a Olimpíada para isso", disse o vice-presidente de Esportes Olímpicos do clube, Alexandre Póvoa. "Nós queremos usar o ciclo olímpico para investir fortemente no pós-Olimpíada. Queremos voltar a ser um clube formador para nos tornarmos o maior fornecedor de atletas para o Brasil nos Jogos Olímpicos de 2020 e 2024."

Além da reforma na estrutura física, a parceria também envolve troca de experiências entre os treinadores americanos e do Flamengo. “Queremos aproveitar o know-how deles”, afirmou Póvoa. Quase todo o valor está sendo usado na modernização na sede, mas uma pequena parte será utilizada em ações de marketing. "Eles não queriam apenas um lugar para treinar. Eles queriam aproveitar um pouco da popularidade do Flamengo para se aproximar da torcida brasileira."

Já em Belo Horizonte, o Minas Tênis Clube firmou parceria com a delegação olímpica e paralímpica britânica para utilização de suas sedes antes e durante os Jogos Olímpicos. O clube já recebeu atletas da equipe de canoagem para treinos e aclimatação no Minas Náutico, uma de suas unidades.

PREPARAÇÃO

Para receber atletas de Israel e Japão, o Clube Hebraica, em São Paulo, também já vive um clima de Olimpíada mesmo a alguns meses dos Jogos. Para o gerente-geral de esportes, Carlos Inglez, todos no clube estão felizes por fazer parte deste momento. "Não temos solicitações específicas das delegações. As únicas coisas que estão sendo feitas são a troca das raias da piscina olímpica e a aquisição de alguns novos aparelhos de musculação para nosso Fit-Center", conta.

No Clube Pinheiros, o trabalho para receber atletas chineses de 14 modalidades diferentes será grande. "Uma particularidade é que o nosso salão de festas, tradicional por receber importantes eventos do clube e artistas, será o ‘QG’ da delegação. Nele, teremos salas de atendimento à imprensa, escritórios, além do espaço para alimentação de toda a delegação. Será no salão, também, que a equipe de badminton fará seus treinos", explica Cappellano.

Ele conta que o ginásio de handebol receberá dezenas de mesas e iluminação especial para a prática do tênis de mesa, esporte no qual os chineses são os melhores do mundo. "Recentemente, representantes do Comitê Chinês visitaram nossas dependências e ficaram bastante impressionados com alguns de nossos espaços, como a piscina olímpica, que já possui padrão internacional, o ginásio de esgrima e o ginásio da ginástica artística."

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Contato próximo com campeões faz o esporte crescer

O Clube Paineiras já teve a experiência de ter uma delegação estrangeira em suas instalações e sabe o quanto isso é importante para o crescimento do esporte. Recentemente, a seleção japonesa de nado sincronizado usou a piscina do clube paulista antes do evento-teste no Rio, que valia como um Pré-Olímpico. E as atletas carimbaram a vaga para os <a href="http://esportes.estadao.com.br/olimpiada/2016/">Jogos do Rio</a>.</p>

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Paulo Favero

14 Março 2016 | 07h00

O contato próximo com atletas de ponta será o principal legado que ficará nos clubes. “Durante 15 dias teremos muita troca de experiências entre a nossa equipe interna de pequenos atletas e técnicos com atletas olímpicos. Creio que este será o maior legado. Ter um clube inteiro envolvido, deixando ambas as delegações a vontade para a finalização dos treinamentos que antecedem o Rio 2016 nos enche de orgulho e, com certeza, estaremos torcendo pelo êxito de ambas as equipes”, explica Carlos Inglez, gerente-geral de esportes da Hebraica.

Por receber a China, uma das maiores potências esportivas da atualidade, o Pinheiros está vendo a presença dos chineses como uma oportunidade única de intercâmbio para os associados do clube e atletas. “Teremos cerca de 30 campeões olímpicos treinando aqui e os nossos associados poderão conviver com atletas de altíssimo nível que normalmente só são vistos pela televisão”, afirma Roberto Cappellano, presidente do Pinheiros.

Para promover a presença dos chineses em suas instalações, o Pinheiros vai desenvolver uma campanha entre os associados e atletas do clube, com o intuito de criar um corpo de voluntários que faça a recepção e auxilie a delegação chinesa durante sua estadia no Brasil. “A ideia é que a gente mostre um pouco de nosso país e de nossa cultura.”

Na última visita que os representantes do Comitê Olímpico Chinês fizeram ao clube, mês passado, os brasileiros mostraram um pouco das particularidades do Pinheiros, como o Centro de Memória Hans Nobiling. “Eles puderam conhecer um pouco mais da nossa história e tradição no esporte olímpico.”

Cappellano lembra que o clube vai aproveitar a delegação estrangeira para realizar, também, um importante intercâmbio, pois será possível observar a forma de treinamento de um país que é potência olímpica. Serão atletas de 14 modalidades no clube durante três semanas.

“Traremos mais um pouco do verdadeiro espírito olímpico para dentro do clube e da cidade de São Paulo. Realizaremos também encontros, palestras e outras atividades que promovam a integração entre todos. Além disso, é claro, todas as intervenções ficarão como legado em termos de estrutura para os frequentadores do Pinheiros”, disse o dirigente. A tendência é que mais delegações estrangeiras procurem clubes brasileiros, universidades e locais com boa estrutura para usar na preparação para os Jogos do Rio. Se para quem recebe é bom, pelo intercâmbio, para os atletas gringos também é de suma importância, pois é em solo brasileiro que começa a adaptação para a Olimpíada e para a grande festa de agosto.

“Os sócios se sentem extremamente prestigiados em saber que em seu clube estará instalada uma potência olímpica com atletas que ele, provavelmente, só veria pela televisão. Podemos dizer que todos ganham, pois as delegações parceiras também têm a chance de obter uma excelente experiência de familiarização com os espaços e ambientes que encontrarão em agosto”, conclui Cezar Roberto Leão Granieri, presidente do Sindicato dos Clubes do Estado de São Paulo.

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