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COI mandará carta para protestar contra faixa religiosa de Neymar

Nenhum sinal político, comercial ou religioso deve fazer parte da cerimônia de entrega de medalhas: entidade, porém, não prevê punição

Jamil Chade, enviado especial ao Rio, O Estado de S.Paulo

21 Agosto 2016 | 10h18

As regras do COI são claras: nenhum sinal político, comercial ou religioso deve fazer parte da cerimônia de medalhas nos Jogos Olímpicos. No sábado, quando Neymar subiu ao pódio para receber sua medalha de ouro, a faixa "100% Jesus" chamou a atenção de muitos membros do Comitê Olímpico Internacional.

Ao Estado, o diretor-executivo da entidade, Christoph Dubi, informou que uma carta será enviada à delegação brasileira para protestar e relembrar os dirigentes que tais procedimentos não são aceitáveis. "Faremos uma carta", disse. Mas uma punição não está sendo prevista.

Dirigentes, numa reunião do COI na manhã deste domingo no Rio, admitiam que a manifestação religiosa havia sido "um deslize" do jogador e de seus superiores. Mas, diante da festa no Rio, não haveria como o impedir de usá-la. Agora, a ordem é a de fazer "vista grossa" a uma punição para não estragar a imagem da entidade e dos Jogos.

Hoje, apesar de lamentar a situação, ninguém na 'família olímpica' está disposto a manchar a medalha brasileira com um caso disciplinar de um de seus jogadores. "Tomamos nota do fato", declarou ao Estado Mark Adams, porta-voz do COI.

Issa Hayatou, ex-presidente da Fifa e membro do COI, não deixou de destacar a festa brasileira no Maracanã. "Foi como uma final da Copa do Mundo e certamente para alguns têm o mesmo valor quando ela é vencida dessa maneira", declarou. Entre os dirigentes, a esperança agora é de que se reforce as mensagens aos atletas para que evitem esse tipo de manifestação religiosa.

Durante os últimos 16 dias, o COI ainda teve de abrir mão de uma de suas regras: a de impedir qualquer manifestação política por parte de torcedores. A Justiça brasileira acabou autorizando a liberdade de expressão dentro dos estádios e ginásios olímpicos.

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