Lionel Bonaventure/AFP
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COI exigirá luta contra a corrupção para sedes dos Jogos Olímpicos

Paris e Los Angeles já terão de aplicar novo código da entidade

Jamil Chade, correspondente em Genebra, O Estado de S.Paulo

08 Maio 2017 | 07h00

O Comitê Olímpico Internacional (COI) decidiu mudar os contratos com as cidades-sede que receberão os próximos Jogos. A partir de agora, as autoridades que assinarem o documento têm de se comprometer a lutar contra a corrupção. Na nova versão do compromisso, que será válida para os Jogos de 2024, cidades terão de agir para evitar “fraude e corrupção, consistente com acordos, leis e regulamentos internacionais”. O novo contrato também fala na exigência de um mecanismo “eficiente de compliance”.

As primeiras cidades a ter de aplicar o novo código serão Paris ou Los Angeles, que concorrem para receber o evento em sete anos. Entre as obras realizadas para os Jogos do Rio, estão sob investigação a Linha 4 do Metrô, que teve um aumento de orçamento de 11 vezes.

Apesar das suspeitas relacionadas à Odebrecht, o presidente do COI, Thomas Bach, insistia antes dos Jogos que não via motivos para duvidar dos contratos e que mantinha sua confiança nas autoridades locais.

Na Rússia, revelações feitas por Boris Nemtsov, um dos líderes da oposição, indicaram que os Jogos Olímpicos de Inverno de Sochi, em 2014, permitiram o desvio de 60% do orçamento apresentado para o evento. Um dos estádios, previsto para custar US$ 49 milhões (R$ 155 milhões pela cotação atual), acabou saindo por US$ 520 milhões (R$ 1,6 bilhão). Boris Nemtsov foi assassinado.

Passo importante. Entidades da sociedade civil comemoraram a mudança no COI, ainda que alertem que ela não prevê uma auditoria independente nem mecanismos para punir caso alguma irregularidade seja descoberta. “Esse é um passo importante para o COI no futuro”, disse Sharan Burrow, da Confederação Internacional dos Sindicatos, que também festeja a inclusão de medidas sobre direitos humanos.

“O direito de sediar a Olimpíada precisa vir acompanhada da responsabilidade de não cometer abusos de direitos humanos”, defendeu Minky Worden, da Human Rights Watch.

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