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Cinara Piccolo|Photo&Grafia

Goleiro da seleção diz que sai fortalecido do caso de racismo

César Augusto de Almeida, o Bombom, sofre insultos na Espanha, mas recebe apoio da torcida e espera chegar bem nos Jogos do Rio

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Paulo Favero,
O Estado de S.Paulo

11 Fevereiro 2016 | 07h10

Vítima de insultos racistas em uma partida de handebol da Liga Espanhola, o goleiro César Augusto Oliveira de Almeida, o Bombom, da seleção brasileira, ainda está traumatizado com parte dos torcedores adversários que o xingaram. “Tento lidar da melhor maneira possível, infelizmente. Claro que é difícil, mas o clube está me dando assessoria”, conta.

Ontem, na vitória por 32 a 24 sobre o Helvetia Anaitasuna, os jogadores de sua equipe, o Fraikin BM Granollers, entraram em quadra com uma faixa falando sobre os valores do esporte. “A torcida também me deu apoio e muita gente veio conversar comigo”, diz o atleta, que atuou o tempo todo no duelo. “Comigo só aconteceu jogando, na rua nunca tive problema. E isso que já viajei por vários lugares por aqui.”

Os insultos racistas deixaram uma cicatriz no goleiro, que sonha disputar os Jogos do Rio e tem trabalhado para conquistar seu espaço. “Acho que isso me fortalece psicologicamente para a Olimpíada. Estou com a cabeça voltada para o handebol. Saí do Brasil para melhorar e disputar os Jogos. Está valendo muito a pena”, explica.

Hoje haverá uma reunião no clube para tratar do episódio de racismo. Bombom conta que uma pessoa foi identificada, mas ele garante que não foi ela que o xingou na ocasião. “Não gosto de injustiça. Se for o caso, vou identificar as verdadeiras pessoas, mas é uma situação muito chata isso.”

Logo que aconteceu o problema na Espanha, ele mandou uma mensagem para sua mãe no Brasil, contando que estava tudo bem, apesar do susto. “Percebi que ela estava muito triste com isso. Infelizmente é a segunda vez que acontece aqui na Espanha, mas antes tinha sido um caso isolado. É difícil. Os amigos estão bastante indignados. Quem está ao meu redor sofre muito mais.”

A próxima missão de Bombom é garantir vaga no grupo do Brasil para a Olimpíada. Para ele, a seleção pode fazer um bom papel, até porque as equipes estão niveladas e recentemente a equipe ganhou da Suécia em um amistoso. “Vi partidas do Europeu e percebi que existe um equilíbrio. Por isso, temos de pensar jogo a jogo.”

Bombom foi goleiro da seleção masculina no Mundial do Catar, quando a equipe ficou na 16.ª posição. Mas, no torneio, o Brasil mostrou muita qualidade, tanto que perdeu para a Croácia por apenas um gol de diferença e fez confrontos equilibrados diante do Catar, vice-campeão, e Espanha, quarta colocada no Mundial.

Campeão no Pan de Toronto, ele espera que o Brasil continue crescendo e assim conseguir uma vaga no grupo que estará nos Jogos Olímpicos. “Estou no processo e quero muito estar no Rio. O grupo está grande e por isso tenho de estar voando”, conclui.

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