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Goleiro da seleção diz que sai fortalecido do caso de racismo

- Atualizado: 11 Fevereiro 2016 | 07h 39

César Augusto de Almeida, o Bombom, sofre insultos na Espanha, mas recebe apoio da torcida e espera chegar bem nos Jogos do Rio

Vítima de insultos racistas em uma partida de handebol da Liga Espanhola, o goleiro César Augusto Oliveira de Almeida, o Bombom, da seleção brasileira, ainda está traumatizado com parte dos torcedores adversários que o xingaram. “Tento lidar da melhor maneira possível, infelizmente. Claro que é difícil, mas o clube está me dando assessoria”, conta.

Ontem, na vitória por 32 a 24 sobre o Helvetia Anaitasuna, os jogadores de sua equipe, o Fraikin BM Granollers, entraram em quadra com uma faixa falando sobre os valores do esporte. “A torcida também me deu apoio e muita gente veio conversar comigo”, diz o atleta, que atuou o tempo todo no duelo. “Comigo só aconteceu jogando, na rua nunca tive problema. E isso que já viajei por vários lugares por aqui.”

Os insultos racistas deixaram uma cicatriz no goleiro, que sonha disputar os Jogos do Rio e tem trabalhado para conquistar seu espaço. “Acho que isso me fortalece psicologicamente para a Olimpíada. Estou com a cabeça voltada para o handebol. Saí do Brasil para melhorar e disputar os Jogos. Está valendo muito a pena”, explica.

Bombom, goleiro da seleção masculina de handebol
Bombom, goleiro da seleção masculina de handebol

Hoje haverá uma reunião no clube para tratar do episódio de racismo. Bombom conta que uma pessoa foi identificada, mas ele garante que não foi ela que o xingou na ocasião. “Não gosto de injustiça. Se for o caso, vou identificar as verdadeiras pessoas, mas é uma situação muito chata isso.”

Logo que aconteceu o problema na Espanha, ele mandou uma mensagem para sua mãe no Brasil, contando que estava tudo bem, apesar do susto. “Percebi que ela estava muito triste com isso. Infelizmente é a segunda vez que acontece aqui na Espanha, mas antes tinha sido um caso isolado. É difícil. Os amigos estão bastante indignados. Quem está ao meu redor sofre muito mais.”

A próxima missão de Bombom é garantir vaga no grupo do Brasil para a Olimpíada. Para ele, a seleção pode fazer um bom papel, até porque as equipes estão niveladas e recentemente a equipe ganhou da Suécia em um amistoso. “Vi partidas do Europeu e percebi que existe um equilíbrio. Por isso, temos de pensar jogo a jogo.”

Bombom foi goleiro da seleção masculina no Mundial do Catar, quando a equipe ficou na 16.ª posição. Mas, no torneio, o Brasil mostrou muita qualidade, tanto que perdeu para a Croácia por apenas um gol de diferença e fez confrontos equilibrados diante do Catar, vice-campeão, e Espanha, quarta colocada no Mundial.

Campeão no Pan de Toronto, ele espera que o Brasil continue crescendo e assim conseguir uma vaga no grupo que estará nos Jogos Olímpicos. “Estou no processo e quero muito estar no Rio. O grupo está grande e por isso tenho de estar voando”, conclui.

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