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Índia do Amazonas se aproxima da Olimpíada no tiro com arco

Graziela Paulino dos Santos foi a primeira colocada da seletiva

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Demétrio Vecchioli,
Estadão Conteúdo

25 Janeiro 2016 | 10h56

Graziela Paulino dos Santos, a Yaci, de 19 anos, da etnia Karapãna, está cada vez mais perto dos Jogos Olímpicos do Rio no tiro com arco. Natural do Amazonas, ela foi a primeira colocada da seletiva realizada no fim de semana em São Paulo. No geral, terminou em quarto no feminino. Quem também segue sonhando é Dream Braga da Silva, o Iagora, da tribo Kambeba, da área de proteção ambiental do Rio Negro, que foi o segundo da seletiva e ficou em quinto no geral.

A competição reuniu 60 arqueiros, na Vila Olímpica Mario Covas, para selecionar cinco atletas de cada naipe para a seletiva final, que já vai contar com os integrantes da seleção permanente, entre eles Marcus Vinicius D’Almeida e Sarah Nikitin, melhores da competição como um todo.

A quinta e última vaga no masculino ainda ficou com outro indígena, Nelson Silva de Moraes, o Inha Quira, da tribo Kambeba. O garoto tem só 15 anos e será o mais jovem na seletiva final. Pelo resultado do fim de semana, entretanto, a chance de ele ficar com uma das três vagas na Olimpíada é bastante pequena.

Em dezembro de 2014, o jornal O Estado de S. Paulo contou a história de Dream, que, há época, havia começado a treinar com o arco "olímpico" há apenas um ano. Até então, o indígena, que agora tem 19 anos, só utilizava o instrumento para caçar. Yaci, por sua vez, ainda alcançou outro feito recentemente: foi aprovada no vestibular e cursa ciências contábeis. Os dois são da equipe da Fundação Amazonas Sustentável.

Para ir à Olimpíada, os indígenas deverão participar das quatro etapas da seletiva final, entre março e abril, em combates arqueiro contra arqueiro. Tanto no feminino quanto no feminino, os dois que vencerem mais confrontos estarão convocados para o Rio-2016, com a comissão técnica apontando outros dois. Desses quatro, depois, sairão os três titulares por equipes (e que competirão na chave de simples) e quem fica na reserva.

RECORDE - A fase eliminatória do tiro com arco olímpico é dividida em duas etapas de 36 tiros a 70 metros do alvo, com os resultados sendo somados. A seletiva brasileira em São Paulo repetiu esta fase três vezes: na manhã e na tarde de sábado e na manhã de domingo. Principal arqueiro brasileiro, Marcus Vinicius D’Almeida, foi crescendo na competição: primeiro fez 657 pontos, depois 659 e fechou a seletiva com 671. Acabou batendo o recorde brasileiro, que era de 670, dele mesmo, estabelecido numa etapa da Copa do Mundo em setembro passado.

Marcus Vinicius, Bernardo Oliveira, Marcelo Silva, Edson Kim, Iagora, Daniel Xavier, Fábio Emilio, Marcos Bortoloto e Inha Quira seguem sonhando com a Olimpíada. Todos fazem ou já fizeram parte da seleção brasileira. No feminino, a melhor foi Sarah Nikitin, que chegou a somar 641 na última etapa e ficou a três pontos do próprio recorde brasileiro.

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