Miguel Schincariol/AFP
Miguel Schincariol/AFP

MPF: Olimpíada serviu para enriquecimento de organização criminosa

Investigação aponta para o ex-governador Sergio Cabral como líder do esquema de compra de votos

Constança Rezende e Roberta Pennafort / RIO, O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2017 | 13h21

O Ministério Público Federal acredita que a Olimpíada do Rio serviu ao enriquecimento da organização criminosa investigada na Operação Unfair Play, e não apenas para os alardeados objetivos de divulgar o País no exterior, incentivar o turismo e melhorar a infraestrutura urbana carioca. 

"Os Jogos Olímpicos foram uma das melhores estratégias de capitalização política e financeira da organização criminosa. A partir dos jogos, teve uma avalanche de investimentos privados e públicos. Com esses investimentos, obras foram realizadas, contratos de serviços foram firmados. Eles tiveram seus lucros e, por outro lado, também pagaram a propina que vem sendo demonstrada a cada denúncia, a cada passo da Lava Jato", disse a procuradora Fabiana Schneider.

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A investigação aponta para o ex-governador Sergio Cabral como líder do esquema que visava trazer a Olimpíada para o Rio por meio de compra de votos internacionalmente. Um desses votos foi, segundo o MPF, de Lamine Diack, então presidente da Federação Internacional de Atletismo, por meio de seu filho, Papa Massata Diack.

 

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O procurador Rodrigo Timóteo disse que podem ter sido movimentados bem mais que os US$ 2 milhões (R$ 6,5 milhões) que o COB teria repassado a ele como propina. "Vimos e-mails que provam que Papa Diack solicitava mais valores, que foram quitados por outros fornecedores em outras contas fornecidas por ele. Pelo menos mais US$ 500 mil (R$ 1,6 milhão) temos certeza que foram quitados, entre 2009 e 2010". 

 

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