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Esportes » Mulheres tiveram de superar preconceito na história dos Jogos

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David J. Phillip/AP
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25 Fevereiro 2016 | 10h27

A delegação brasileira nos Jogos Olímpicos do Rio deverá ser composta por cerca de 400 atletas e metade deste grupo será de mulheres. Mas nem sempre foi assim a participação feminina no principal evento esportivo. Na Grécia Antiga, as mulheres eram proibidas de participar dos Jogos. As casadas que fossem pegas assistindo à s competições eram condenadas à morte. Mãe de um lutador de boxe chamado Pisirodos, Kallipateria se fantasiou de homem para assumir a função de técnico. Com a vitória do filho, ela festejou e foi notada pelo público. Só não foi morta porque seu pai e seu irmão também haviam sido campeões olímpicos. Por causa disso, foi instituída uma lei que obrigava os treinadores a se exibirem nus. Coroar os homens.

A discriminação contra as mulheres permaneceu nos primeiros Jogos da Era Moderna, quando os 295 atletas em Atenas-1896 eram homens. O Barão Pierre de Coubertein, fundador do Comitê Olímpico Internacional (COI) dizia que as mulheres só deviam “coroar os homens vencedores”.

Mesmo assim a grega Melpomene resolveu se inscrever e acabou muito vaiada pelo público durante a corrida na qual participou. Ao final do percurso, ela foi proibida de entrar no estádio, onde se encerraria a disputa. Revoltada, seguiu correndo do lado de fora. Por ironia do destino foi em Paris (1900), país de Pierre de Coubertein, que as mulheres tiveram a oportunidade de disputar os Jogos. Elas eram apenas 11 dos 997 atletas que foram atrás das medalhas. A tenista inglesa Charlotte Cooper foi a primeira a ganhar uma medalha de ouro.

A partir daí, o espaço feminino só cresceu nas demais competições, todos os obstáculos foram sendo superados aos poucos, sempre com marcas e recordes expressivos. Obstáculos superados. Em Paris-1924, a nadadora Sybil Bauer ratificou seu favoritismo ao ganhar os 100 metros costas. Dois anos antes, ela batera o recorde masculino. Louise Stokes e Tidye Pickett foram as primeiras afro-americanas a integrar uma delegação dos Estados Unidos, em Berlim-1936. De mesma origem, a saltadora Alice Marie Coachman, em Londres-1948, foi a primeira a conquistar uma medalha de ouro.

O hipismo também foi importante para quebrar barreiras, ao aceitar que os países pudessem escolher os melhores cavaleiros e amazonas para compor suas equipes mistas nos Jogos de Helsinque-1952.Vinte anos mais tarde, em Munique, a amazona britânica Lorna Johnstone, aos 69 anos, se tornou a atleta mais velha a competir nos Jogos. Ela já havia competido em em Helsinque-1956 e México-1968.

Em Los Angeles-1984, a suíça radicada nos Estados Unidos Gabriela Andersen-Scheiss foi personagem de uma das cenas mais emocionantes do esporte em todos os tempos. A atleta entrou cambaleando no estádio, sem rumo, para atingir seu objetivo e concluir a maratona. Em Londres-2012, as duas maiores potências esportivas tiveram uma superioridade feminina em suas delegações. Pela primeira vez, mais mulheres representaram os Estados Unidos: foram 269 moças e 261 rapazes. Na China, a diferença foi maior: 225 a 171. O Brasil foi com 259 atletas, dos quais 123 eram mulheres. No Rio, a previsão é de que 5 mil dos 10.500 atletas sejam mulheres. Nada mais justo.

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25 Fevereiro 2016 | 07h00

Se no passado as mulheres não podiam nem ver a disputa dos Jogos Olímpicos, atualmente elas são essenciais para o desempenho de todas as modalidades. Várias delas têm seus nomes completamente ligados ao esporte que praticam e se tornaram grandes ídolos.

É o caso da russa Yelena Ishinbayeva, multicampeã no salto com vara, que, aos 33 anos, sonha em disputar a quarta olimpíada e buscar mais um ouro, apesar dos problemas que seu país sofre com os casos de doping. 

Na mesma prova, a bela croata Blanka Vlasic, de 32 anos, bicampeã mundial, sofre com as lesões e talvez tenha a última chance de subir no lugar mais alto do pódio olímpico. Ela foi prata em Pequim-2008. 

Outro nome que se destaca é o da japonesa Kaori Icho, dez vezes campeã mundial e tri olímpica de luta estilo livre (categoria até 58kg). Ela vai chegar ao Rio em agosto com uma força a mais para buscar o quarto ouro consecutivo, após a derrota no mês passado para a mongol Purevdorj Orkhon (MGL) no GrandPrix de Yarygin, na Rússia. Foi a primeira derrota da oriental, de 31 anos, nos últimos 13 anos.

Aos 25 anos, Lidewij Marsia Maria Welten é a capitã da seleção holandesa de hóquei sobre a grama. Em agosto, ela vai liderar sua equipe na busca pela terceira medalha de ouro seguida.

Em 14 jogos nas duas olimpíadas, a Holanda venceu 13 vezes e empatou outra (com vitória nos tiros livres). 

A Lituânia também tem sua representante entre as mulheres que vão fazer história na Cidade Maravilhosa no início do segundo semestre. O nome dela é complicado, mas para aqueles que acompanham o pentatlo trata-se de uma referência. Trata-se de Laura Asadauskaite-Zadneprovskien. 

Casada com Andrejus Zadneprovskis, bicampeão mundial e duas vezes medalhista olímpico, Laura recebeu do governo lituano um prêmio em dinheiro de 116 mil euros e um carro BMW zero quilômetro, além de ser condecorada com a Grã Cruz da Ordem do Mérito da Lituânia no grau de Cavaleiro, por sua medalha conquistada em Londres-2012.

Em Mundiais, a lituana soma um ouro, uma prata e três medalhas de bronze. 

MENINA DE OURO

Da Rússia vem Yana Alexeyevna Kudryavtseva, uma menina de 18 anos que acumula impressionantes 13 medalhas de ouro e três de prata em campeonatos mundiais da ginástica rítmica. Viktoriia Kharitonova, mãe de Yana, a compara com um “Anjo com asas de ferro”, lembrando de uma bailarina numa caixa de joias.

O triatlo possui Gwen Jorgensen, dos Estados Unidos. Com 11 medalhas em etapas do Mundial, a bicampeã mundial, aos 29 anos de idade, promete não dar chance às suas adversárias nos Jogos do Rio.

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25 Fevereiro 2016 | 11h52

A primeira brasileira a competir nos Jogos Olímpicos foi a nadadora Maria Lenk, em Los Angeles-1932. De lá para cá, 16 medalhas olímpicas foram conquistadas pelo País graças ao esforço feminino. Em Atlanta-1996, as mulheres brasileiras subiram ao pódio pela primeira vez: ouro no vôlei de praia para Jacqueline e Sandra Pires e prata com Adriana Samuel e Monica Rodrigues; prata para o basquete feminino, com Paula e Hortência; além do bronze para o vôlei.

A primeira medalha individual foi no judô, com Ketleyn Quadros, bronze em Pequim-2008. Nos mesmos Jogos, Maurren Maggi ganhou o primeiro ouro individual, no salto em distância. Feito repetido por Sarah Menezes, no judô, em Londres-2012.

O vôlei feminino brasileiro foi medalha de ouro nas duas últimas olimpíadas.

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