Fábio Motta/Estadão
Fábio Motta/Estadão

MPF suspeita que Nuzman ganhou passaporte russo em troca de voto para Sochi

Presidente do Comitê Olímpico do Brasil é alvo de operação que investiga compra de votos para o Rio ser sede da Olimpíada

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

06 Setembro 2017 | 07h00

O Ministério Público Federal (MPF) suspeita que o presidente do Comitê Olímpico do Brasil (COB), Carlos Arthur Nuzman, tenha obtido nacionalidade russa em troca de votar a favor da cidade russa de Sochi para sediar os Jogos Olímpicos de Inverno de 2014. A Polícia Federal (PF) encontrou um passaporte russo em nome do dirigente esportivo na ação de busca e apreensão que fez na casa dele, na manhã desta terça-feira, na Operação Unfair Play.

A informação sobre a suposta troca que teria rendido a Nuzman o passaporte estrangeiro constaria de depoimento do atleta brasileiro Eric Maleson, o primeiro do País na modalidade olímpica de bobsled, ao Ministério Público Financeiro Francês. De acordo com o MPF, “essa nacionalidade russa devia lhe permitir esperar escapar da Justiça brasileira se fosse necessário”. Por isso, todos os passaportes de Nuzman foram apreendidos na operação.

Maleson, que é fundador e ex-presidente da Confederação Brasileira de Desportos no Gelo, também relatou ao órgão francês que teria ocorrido fraude na votação dos países africanos para a escolha da cidade. 

O procurador nacional adjunto financeiro da França, Jean-Yves Lourgouilloux, confirmou que Eric procurou autoridades francesas por "livre e espontânea vontade". 

"Ele foi ouvido como testemunha, não posso entrar em mais detalhes do que aconteceu. Os elementos que ele forneceu terão que ser verificados", disse o francês. 

Em julho de 2009, Eric Maleson também informou às autoridades brasileiras, por meio de carta rogatória, que a delegação brasileira, composta por Carlos Nuzman e Ruy Cesar Miranda Reis, se dirigiu à Nigéria para apresentar o Rio de Janeiro aos países africanos. Posteriormente, Reis teria pago uma quantia para garantir a votação pela cidade fluminense.

O Estado não conseguiu localizar a defesa de Reis, para comentar a acusação./COLABOROU FABIO GRELLET

Mais conteúdo sobre:
Carlos Nuzman

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.