Daniel Teixeira/Estadão
Daniel Teixeira/Estadão

O maior de todos se despede das piscinas olímpicas

Michael Phelps, aos 31 anos, encerra participação no Rio mantendo a superioridade sobre os rivais e reafirma aposentadoria

Marcio Dolzan e Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

14 Agosto 2016 | 05h00

Pelo menos uma faceta de como ficará conhecida a Olimpíada do Rio na posteridade foi definida, mais de uma semana antes do seu término: foram os últimos Jogos de Michael Phelps, maior atleta olímpico de todos os tempos. Aos 31 anos, dono de 27 medalhas, sendo 22 de ouro, o norte-americano se aposentou definitivamente na piscina do Estádio Aquático. Já faz parte da história do esporte.

Phelps havia anunciado o fim da carreira há quatro anos, após os Jogos de Londres. Deixou as piscinas por dois anos, enfrentou depressão, problemas com drogas e chegou a ser condenado a 18 meses de prisão por dirigir embriagado – não precisou cumprir a pena, porque ganhou liberdade condicional.

Em 2014, decidiu abandonar a aposentadoria e voltar aos treinos. Classificou-se para os Jogos do Rio e seguiu fazendo história. No Brasil, subiu ao pódio todas as vezes em que disputou uma final e foi reverenciado pelo público a cada entrada e saída da piscina. Era a reverência do povo para uma lenda.

“Voltei e fiz as coisas que eu sonhava. Tive a oportunidade de estar aqui numa Olimpíada de novo e nem sei bem o que falar sobre isso. Foi uma semana muito especial para mim”, disse Michael Phelps, em uma de suas últimas entrevistas como atleta olímpico.

Phelps chegou ao Rio no início do mês, e passou o primeiro dia recluso, longe dos microfones. Não era estrelismo, e sim mera concentração. Prova disso é que, mesmo sendo o maior medalhista olímpico de todos os tempos, ele passou a última semana acenando para o público e conversando com a maior boa vontade com nadadores de outros países. Ganhou a simpatia do brasileiro.

Sempre que tinha seu nome anunciado no sistema de som do Estádio Aquático era ovacionado. Ganhou mais simpatia ainda quando, ao vencer sua primeira prova individual, os 200m borboleta, procurou a mulher e o filho Boomer, de apenas três meses, para dar um beijo carinhoso em ambos. As câmeras registraram as imagens e ali ele mostrou que as mudanças em sua vida começaram na família.

O nadador pensou que não conseguiria chegar aos Jogos em tão boa forma. Mas desde que entrou na piscina no Estádio Aquático, ficou à frente de seus rivais nas provas de 200m borboleta, 200m medley e nos revezamentos 4 x 100m livre e 4 x 200m livre.

Phelps tem 27 pódios olímpicas e desde que começou a ampliar sua coleção no Rio, uma brincadeira passou a ser feita comparando ele com outros países. Com seus 22 ouros, ele está apenas dois atrás do Brasil, que possui 24 ouros em toda a sua história na Olimpíada.

A performance do atleta, inclusive, é tão boa no Brasil quanto a que ele teve nos Jogos de Londres, quando conquistou quatro ouros e duas pratas. Aos 31 anos, ele já decidiu que vai encerrar sua trajetória olímpica no Rio, mas muitos fãs gostariam que ele continuasse, até porque vem mostrando superioridade sobre os adversários na piscina. Mas ele prefere encerrar sua carreira por aqui.

“Definitivamente acabou. Estarei nos Jogos de Tóquio, em 2020, mas apenas assistindo e não competindo. Vou trabalhar, e gostaria de estar bem mais com minha família. Vou querer ver os Jogos, e por alguns meses não vou querer fazer nada”, avisou.

Nas entrevistas, ele costuma ser mais contido do que quando sai da água ou do pódio. Nem de longe demonstrou a mesma naturalidade com que cruzou piscinas de ponta a ponta nas últimas quatro Olimpíadas. Responde a tudo o que é questionado, mas invariavelmente olha para baixo – talvez fosse seu inconsciente lembrando que, nos Jogos Olímpicos, não há mais ninguém acima.

Ele tem reclamado sobre o corpo e sabe que está perto do limite. “Eu sabia, quando voltei, que o processo não seria fácil. Teria de passar pela dor se quisesse um resultado final. É algo que eu teria de fazer”, ponderou. “Voltei com o maior peso que tinha na vida, mas me senti um garoto de novo. Me senti como quando tinha 18 anos.”

A juventude ficou para trás há muito tempo, numa época em que o maior medalhista olímpico de todos os tempos não havia conquistado uma única medalha em Olimpíada. O tempo passou, e o corpo começou a cobrar seu preço.

“Saindo da água o meu corpo dói mais e não é mais igual de quando eu tinha 18 anos”, ponderou Phelps. “Gosto do esporte como gostava antes, mas antes procurava algum caminho mais curto ou algum atalho. Coisinhas como pular uma semana aqui ou ali. Dessa vez, disse que ia fazer o que precisasse fazer.”

O que ele precisava fazer era o que sabia de melhor: nadar e encantar o público. O resto o cronômetro das piscinas olímpicas tratava de registrar. “É ótimo poder voltar no pódio e ouvir o hino nacional”, afirmou Phelps. “É uma coisa que eu vou sentir falta quando parar.”

PARTICIPE

Quer saber tudo dos Jogos Olímpicos do Rio? Adicione o número (11) 99371-2832 aos seus contatos, mande um WhatsApp para nós e passe a receber as principais notícias e informações sobre o maior evento esportivo do mundo através do aplicativo. Faça parte do time "Estadão Rio-2016" e convide seus amigos para participar também!

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.