Jean-Christophe Bott/EFE
Jean-Christophe Bott/EFE

Oposição vê Rio-2016 como 'pesadelo' que precisa ser evitado na França

Oito últimas edições dos Jogos Olímpicos são apontadas como exemplos negativos

Andrei Netto, correspondente em Paris, O Estado de S. Paulo

15 Julho 2017 | 17h00

Há nada menos do que oito Jogos Olímpicos consecutivos, a começar por Seul-1988, orçamentos apresentados ao Comitê Olímpico Internacional (COI) acabam estourando e se transformando em uma bola de neve para governos e contribuintes. Para movimentos franceses de oposição à realização da Olimpíada em Paris, a Rio-2016, que custou R$ 41,03 bilhões, é o "pesadelo" a ser combatido pela sociedade civil.

Depois de Los Angeles, em 1984, a prática de construir infraestruturas superdimensionadas e inúteis após os Jogos se disseminou, resultando na onda de impopularidade que obrigou metrópoles do mundo inteiro a retirarem suas candidaturas. O exemplo europeu do desperdício é Atenas, sede de 2004, onde infraestruturas construídas para as competições apodrecem a céu aberto por falta de manutenção e, pior, por falta de práticas esportivas. Ainda na Europa, Londres, em 2012, é tido como um imenso exemplo de desperdício e de imprecisão do orçamento, que passou dos estimados 4,8 bilhões de euros (R$ 17,5 bilhões) a 11 bilhões de euros (R$ 40,1 bilhões).

Mas o que tira o sono dos opositores da Olimpíada em Paris é mesmo o Brasil. "Rio é o exemplo do pesadelo perfeito. Vimos o que se passou na cidade, as imagens sobre o deslocamento de populações, a construção de elefantes brancos, o preço do estádio Maracanã. Tudo isso faz parte do pesadelo que nós gostaríamos de evitar na França", diz Frédéric Viale, coordenador do coletivo "Non aux JO-2024", que luta com unhas e dentes contra o evento. "Os Jogos do Rio são o exemplo porque serviram para fazer muita especulação financeira, muita especulação imobiliária e despesas públicas inúteis."

O problema do COI é que nem o exemplo brasileiro foi suficiente para impedir o mesmo tipo de desperdício em Tóquio, em 2020. Na capital do Japão, o custo causa escândalo diário na imprensa por ter passado de 2,3 bilhões de euros (R$ 8,3 bilhões) estimados a 13,8 bilhões de euros (R$ 50,3 bilhões) – seis vezes mais. "Aquele que faz a pior estimativa é o que ganha os Jogos, porque para seduzir vende coisas a um preço inferior aquele que custará na verdade. Depois, é preciso pagar a fatura. É isso que chamamos de a maldição do vencedor", diz Emmanuel Frot, vice-presidente da consultoria Microeconomix, que publicou um relatório sobre custos e benefícios potenciais dos Jogos em Paris. 

Para outro expert, Pascal Gayant, economista do Esporte da Universidade de Mans, a conta das candidaturas é bastante simples e põe o orçamento de Paris também sub dúvida. "Os candidatos têm a tendência natural de minimizar os custos", diz o expert.

 

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