Edgard Garrido/Reuters
Edgard Garrido/Reuters

Os Jogos Olímpicos do Rio contados em 16 fatos

Alguns dos momentos que marcaram os 17 dias da Olimpíada de 2016

Thiago Fadini, especial para o Estado

22 Agosto 2016 | 06h00

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PRIMEIRA RECLAMAÇÃO

Assim que chegou à Vila Olímpica, uma nuvem pesada parecia ter pairado sobre a delegação da Austrália. A comissão reclamou das instalações no prédio e reportou problemas de encanamento, energia e gás, além da falta de limpeza. A chefe da missão australiana chegou a dizer que a "Vila não era segura" e o time se negou a ficar no local. Reparos emergenciais foram anunciados pelo prefeito do Rio, Eduardo Paes. A situação causou mal-estar quando ele disse que "colocaria um canguru" na frente do edifício da Austrália. Ele e a delegação encerraram a polêmica apertando as mãos na entrega da Chave da Cidade. Os reparos foram feitos.  

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GRATAS SURPRESAS DO BRASIL

De quem menos se esperava, ou se esperava nada, é de que vieram as grandes conquistas. A primeira medalha dourada para o Brasil foi ganha no tatame e pelos golpes da judoca Rafaela Silva. Com três conquistas, Isaquias Queiroz se tornou o maior medalhista brasileiro em uma única edição de Olimpíada. Thiago Braz superou Renaud Lavillenie e conquistou um ouro inédito no salto com vara. Tão inédito quanto o de Robson Conceição, primeiro boxeador brasileiro campeão. Além deles, o Brasil ganhou novos ídolos que merecem reconhecimento.

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QUE DECEPÇÃO!

Por outro lado, algumas decepções também vieram de quem se esperava um show. A americana Serena Williams não chegou nem às semifinais no tênis feminino e caiu na estreia das duplas ao lado da irmã Venus Williams. Carismático, o sérvio Novak Djokovic caiu logo no primeiro duelo e deixou o torneio de tênis do Rio aos prantos. A equipe de vôlei feminino do Brasil, cotada para o ouro, parou diante das chinesas nas quartas de final. Fabiana Murer, esperança no salto com vara, se despediu dos Jogos na classificatória. E a natação brasileira, com uma equipe de 36 atletas, encerrou a Rio-2016 apenas com a medalha de prata de Poliana Okimoto.

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FENÔMENOS

Entre supresas positivas e negativas, também estavam aqueles que corresponderam ao rótulo de campeão. Michael Phelps se aposentou com 13 medalhas de ouro e quebrando o recorde de 12 honrarias douradas de Leônidas de Rodes, após 2.168 anos. Arrebentou no Rio. Usain Bolt se tornou o primeiro tricampeão nos 100m, 200m e no revezamento 4x100m na história das Olimpíadas. Simone Biles, dos EUA, se consolidou como fenômeno da ginástica, com quatro ouros e um bronze, aos 19 anos apenas. O britânico Mo Farah, especialista nos 5.000m e 10.000m, também foi campeão e até agora não perdeu nas duas edições de Olimpíada que participou (2012 e 2016).

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RECORDES MEMORÁVEIS

Ao todo, 79 recordes foram quebrados no Rio de Janeiro, entre mundiais e olímpicos (dados da Rio-2016). Em destaque, o su-coreano Kim Woojin bateu o recorde do tiro com arco na fase classificatória, o primeiro dos Jogos. A equipe feminina australiana de nado superou as próprias marcas, olimpíca e mundial, no revezamento 4x100 livre. Joseph Schooling, de Singapura, simplesmente venceu os 100m borboleta, deixando Michael Phelps com a prata e ainda quebrou o recorde do americano. E o brasileiro Thiago Braz, ouro no salto com vara, bateu a marca olímpica de Renaud Lavillenie.

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PERSISTÊNCIAS

Os Jogos do Rio também marcaram a estreia de duas delegações: a de Kosovo e a de Atletas Olímpicos Refugiados. A judoca kosovar Majlinda Kelmendi foi campeã na categoria até 52kg e se tornou a primeira medalhista olímpica do país, que não era reconhecido pelo COI (Comitê Olímpico Internacional). Além das estreias, a delegação de Atletas Independentes também ganhou um ouro, no tiro esportivo, com Fehaid Al-Deehani, que nasceu no Kuwait. O país foi banido pela delegação esportiva não ter autonomia em relação ao governo.

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MICO DOS JOGOS

Grande mico e vergonha para a delegação americana, o assalto fictício inventado por Ryan Lochte e mais três companheiros da equipe de natação causou mal-estar diplomático entre Brasil e Estados Unidos. A mentira de Lochte, contada primeiramente para a própria mãe, tinha o intuito de salvar o namoro com a modelo Kayla Rae Reid. Os atletas foram a uma festa e na volta teriam praticado vandalismo em posto de gasolina. A brincadeira resultou em uma investigação sobre os atletas por falsa comunicação de crime e falso testemunho. 

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#CHATEADO

O ouro de Thiago Braz no salto com vara era para ser apenas motivo de comemoração. Mas a torcida, que torceu efusivamente por ele no Engenhão, deixou o francês Renaud Lavillenie chateado. Os torcedores vaiaram o até então campeão olímpico quando a disputa ficou entre ele e Thiago. Após perder, Lavillenie desabafou sobre a atitude dos brasileiros e se comparou a Jesse Owens, atleta negro americano campeão em Berlim-1936, vaiado pelos alemães nazistas. Thiago Braz e o francês não se cumprimentaram ao término da prova. O ucraniano Sergei Bubka, lenda do esporte, ajudou na reconciliação entre os finalistas.

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CASOS DE SUPERAÇÃO

O mais curioso e impressionante caso de superação foi o do francês Yohann Diniz, que teve problemas instestinais durante a marcha atlética. O atual recordista mundial chegou a desmaiar durante a prova, mas se recuperou e terminou o percurso. No caso das atletas Abbey D'Agostino, dos EUA, e Nikki Hamblin, da Nova Zelândia, o espírito olímpico foi destaque. Elas se chocaram durante a semifinal dos 5.000m e Abbey acabou se contundindo. Nikki a ajudou a completar a prova. E a etíope Etenesh Diro, que disputava os 3.000m, perdeu uma sapatilha no percurso, mas não desistiu e terminou a corrida com apenas um pé calçado.

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FICOU FEIO

Mesmo com todas as obras finalizadas e todas as arenas prontas, houve um grande 'momento fail' durante as competições aquáticas. A água da piscina do complexo Maria Lenk, onde foram disputados o polo aquático e os saltos ornamentais, ganhou tom esverdeado e chamou a atenção dos atletas. Alguns chegaram a reclamar de irritação ocular. A organização confirmou que o despejo indevido de peróxido de hidrogênio causou a mudança de cor e a água teve que ser trocada.

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ACIDENTES ESPETACULARES

Acidentes acontecem e alguns deles, infelizmente, foram graves. O armênio Andranik Karapetyan fraturou o braço esquerdo no levantamento de peso; o ginasta francês Samir Ait Said também não teve sorte e quebrou a perna esquerda; a ciclista holandesa Annemiek van Vleuten caiu durante a prova de estrada e foi parar na UTI, mas ficou bem; o também ciclista sul-coreano Kim Okcheol foi atropelado em um treino nas ruas do Rio, antes dos Jogos; e o mais trágico foi o de Stefan Henze, técnico alemão da canoagem slalom que morreu em um acidente de táxi.

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CULTURA NOS JOGOS

Shows, apresentações teatrais, exposições e painéis. A programação cultural feita para a Olimpíada movimentou diversos espaços da cidade, como o Boulevard Olímpico, o Museu do Amanhã e o Museu das Telecomunicações. Além disso, cidades da baixada fluminense também foram contempladas com as atividades.

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O MELHOR DO BRASIL É O BRASILEIRO

É o que diz o ditado. Alguns dos melhores momentos da torcida nos Jogos Olímpicos de 2016 são inesquecíveis. O apoio ao juiz durante uma luta de boxe; a 'homenagem' dos torcedores ao boxeador Carlos Andrés Mina, cantando a música 'Pelados em Santos', do grupo Mamonas Assassinas; e as japonesas que pegaram o saco plástico de uma loja de departamentos para fazer de camisa e torcer pelo país.

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MOMENTO INÉDITO

O futebol viveu o momento mais aguardado pelo torcedor brasileiro. O único título que faltava à seleção brasileira foi conquistado no Rio. A medalha de ouro olímpica, que escapou em Londres-2012, finalmente veio e consagrou a geração de Neymar, Gabigol, Gabriel Jesus e Luan. O time foi muito contestada no início dos Jogos. O goleiro Weverton, de 28 anos, se tornou herói nas cobranças de pênaltis. E o melhor: a vitória veio sobre os alemães, que ainda assombram os brasileiros com o 7 a 1 que aconteceu na Copa do Mundo de 2014.

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DESPEDIDA DA LENDA

Uma despedida de gala para uma lenda do vôlei mundial. O adeus do líbero Serginho à seleção brasileira foi condecorado com a medalha de ouro no Maracanãzinho, conquistada por 3 sets a 0 sobre a grande rival Itália, e a eternização da camisa 10, reverenciada e beijada por todos os atletas da seleção no meio do ginásio.

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BEM-VINDOS AO BRASIL

Em meio a toda a desconfiança quanto ao atraso, a falta de infraestrutura, orçamento apertado e o fato de ser no Brasil, a festa de abertura, aguardada por mais de três bilhões de espectadores em todo o mundo, foi muito elogiada pela imprensa internacional, tanto pela originalidade quanto pela versatilidade. Da mesma forma, foi bacana o encerramento. A produção teve de trabalhar com uma verba de cerca de R$ 270 milhões, valor considerado baixo se comparado a Pequim-2008 e Londres-2012. Mesmo assim, os brasileiros e toda a sua 'gambiarra' mostraram que é capaz impressionar e emocionar sem extravangâncias. O legado fica para o próprio COI, que admitiu que as próximas edições da Olimpíada serão mais sustentáveis, marcando uma nova era.

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