Lionel Bonaventure/AFP
Lionel Bonaventure/AFP

Paris entra no clima olímpico e aposta em atletas 'embaixadores' para vencer

Capital francesa faz de tudo para sediar grande evento esportivo em 2024

Felipe Rosa Mendes, Estadão Conteúdo

16 Junho 2017 | 23h34

Está estampado na fuselagem do avião da Air France e nas colunas do aeroporto Charles de Gaulle. Também aparece em placas grandes e em detalhes, como bótons, no peito de funcionários do local. Para onde se olha é inevitável se deparar com o logotipo da candidatura de Paris a sede dos Jogos Olímpicos de 2024, nas últimas semanas. A capital francesa entrou de vez na campanha para receber o grande evento esportivo 100 anos depois de sediá-lo pela primeira vez.

E, para tanto, a cidade não tem medido esforços. Aproveitando a vocação turística da metrópole francesa, autoridades estamparam o logo nos principais pontos da capital, da fachada imensa da Torre Montparnasse, arranha-céu de 210 metros de altura, à placas na Pont d'Iéna, diante da Torre Eiffel.

Distribuídos por toda a cidade, outdoors quase convencem os moradores e visitantes que Paris já está na Olimpíada, cuja sede de 2024 ainda não definida. A escolha do Comitê Olímpico Internacional, entre a cidade francesa e Los Angeles, está marcada para 13 de setembro, em Lima, no Peru.

Enquanto a data não chega, autoridades e dirigentes esportivos usam todos os recursos à disposição. Além de apelar para o charme de Paris, eles apostam nas celebridades esportivas da França. Recentemente, Zinedine Zidane e outros craques que levaram a França ao título da Copa do Mundo de 1998 se tornaram embaixadores da campanha.

E não precisa ser francês para entrar na campanha. Em Roland Garros, por exemplo, tenistas de vários países eram solicitados a posar de garotos-propaganda da candidatura parisiense. Pegos de surpresa, eram quase constrangidos a formar com as mãos o desenho da Torre Eiffel, um dos símbolos da campanha.

O Grand Slam francês se tornou quase um escritório central da candidatura nas últimas semanas. Logo no sorteio das chaves, o sérvio Novak Djokovic e a espanhola Garbiñe Muguruza, aos sorrisos, tiveram que posar para fotografias e vídeos fazendo o símbolo com as duas mãos. Os dois eram os atuais campeões da competição.

O sorteio acabou se tornando momento importante na divulgação da candidatura. Contou até com a presença do casal de boxeadores Tony Yoka e Estelle Mossely. Ambos conquistaram medalha de ouro no Rio-2016 e foram homenageados o evento de tênis como forma de exaltar a vocação olímpica francesa.

Boxe e tênis foram unidos no sorteio porque devem dividir o complexo de Roland Garros se Paris for confirmada como sede dos Jogos de 2024. A disputa entre os pugilistas aconteceria na quadra Suzanne Lenglen, a segunda maior quadra do local, com direito a uma cobertura provisória.

A campanha em Roland Garros foi finalizada com o auxílio de mais um inesperado garoto-propaganda. Gustavo Kuerten, ao ser homenageado a poucos minutos do início da final masculina, na quadra central, também precisou posar para fotos. Claramente surpreendido, ele fez o símbolo da torre com as mãos, até com certa dificuldade, e também com o logo gigante da campanha enquanto tentava segurar os dois filhos no colo. Com a ajuda do brasileiro, a candidatura ganhou veiculação internacional ao vivo para cerca de 170 países.

Para garantir a vitória em setembro, autoridades francesas apostam ainda na pressão política. Emmanuel Macron, novo presidente da República, já afirmou que este é o momento perfeito para Paris receber a Olimpíada porque conta com dirigentes políticos totalmente favoráveis ao grande evento e, naturalmente, aos futuros e inevitáveis gastos públicos nas obras esportivas.

Com estas declarações, Paris pretende assegurar a sede já em 2024 numa disputa que deve ter Los Angeles ganhando o direito de receber o evento de 2028. O COI já indicou que escolherá as duas sedes simultaneamente no mesmo encontro, em Lima. E a França não quer perder a oportunidade de celebrar o centenário da primeira Olimpíada que recebeu, em 1924.

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