Toru Yamanaka/AFP
Toru Yamanaka/AFP

Presidente de comitê japonês depõe e nega pagamentos ilegais por Tóquio-2020

Tsunekazu Takeda foi interrogado como fruto de uma investigação da Justiça da França sobre a escolha da sede olímpica

Estadao Conteudo

08 Fevereiro 2017 | 11h54

O presidente do Comitê Olímpico Japonês, Tsunekazu Takeda, confirmou nesta quarta-feira que foi interrogado como fruto de uma investigação da Justiça da França motivada pela suspeita da realização de pagamentos ilegais que teriam sido feitos durante o processo de candidatura que levou Tóquio a ser escolhida a sede dos Jogos de 2020.

O dirigente afirmou que o interrogatório aconteceu na semana passada e falou agora aos procuradores da capital japonesa que voltou a negar que cometeu qualquer delito durante a disputa para abrigar os Jogos Olímpicos, segundo reportou nesta quarta-feira a agência de notícias Kyodo.

Takeda e outros envolvidos na candidatura de Tóquio depuseram na Justiça a pedido de autoridades francesas que suspeitaram da legitimidade de pagamentos de mais de US$ 2,2 milhões feitos pela candidatura japonesa a uma consultoria de Cingapura, da empresa Black Tidings, em nome de Ian Tan Tong Han e vinculada a Papa Massata Diack, filho do ex-presidente da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF, sigla em inglês), Lamine Diack. Este último renunciou ao cargo em 2014 após ter sido acusado de aceitar suborno para encobrir casos de doping envolvendo atletas da Rússia.

Em janeiro do ano passado, Papa Massata Diack foi suspenso pelo resto da vida pela IAAF, na qual anteriormente ele trabalhava como consultor, por supostos atos de corrupção que serviram para encobrir caso de doping no atletismo. E os supostos pagamentos irregulares da candidatura de Tóquio são suspeitos de terem sido dirigidos a Lamine Diack enquanto o mesmo era membro do Comitê Olímpico Internacional (COI) e tinha voto na eleição que deu à capital japonesa, em setembro de 2013, o direito de receber os Jogos de 2020.

Um painel independente de investigação, contratado a pedido do Comitê Olímpico Japonês em setembro do ano passado, disse não ter encontrado nenhum pagamento ilegal no processo que fez Tóquio ganhar a disputa para ser sede dos Jogos e concluiu que os executivos da candidatura da cidade não tinham conhecimento da ligação entre Ian Tan Tong Han e Papa Massata Diack.

Anteriormente, Takeda já havia alegados que todos os pagamentos feitos para esta consultoria de Cingapura haviam sido auditados e comunicados ao COI, rebatendo as suspeitas de autoridades francesas de que houve crimes de "corrupção e lavagem de dinheiro" nestas transações feitas através de um banco japonês entre julho e outubro de 2013.

As acusações de corrupção no processo de candidatura colocaram pressão sobre os organizadores dos Jogos de Tóquio e sobre o próprio COI, depois de o Rio de Janeiro ter sediado a Olimpíada de 2016, quando a Rússia não pôde participar do atletismo da competição após punição aplicada pela IAAF motivada por um enorme escândalo de doping sistemático envolvendo o país.

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