Arte/Estadão
Arte/Estadão

Marcio Dolzan, O Estado de S. Paulo

03 Julho 2015 | 11h43

A tocha olímpica dos Jogos do Rio-2016, que viajará o Brasil durante 100 dias no próximo ano, foi concebida em apenas dois meses. Nesse período, a equipe dos designers Gustavo Chelles e Romy Hayashi imergiu na história olímpica e brasileira e desenvolveu 200 conceitos diferentes até chegar ao modelo apresentando em Brasília nesta sexta-feira.

"Esse prazo era relativamente curto. O modelo da tocha tem de ser bem aceito por culturas diferentes", considera Chelles. "A tocha tem de representar muito bem os valores olímpicos, mas também ter a cara do Rio e do Brasil", pondera Beth Lula, diretora de Marcas do Comitê Rio-2016.

Beth conta que a escolha pelo modelo vencedor acabou sendo uma tarefa fácil. "Ela foi escolhida por unanimidade. Foi a escolha mais rápida que participei. Tínhamos uma comissão formada por 11 membros, incluindo dois profissionais do mercado. A empresa vencedora conseguiu pegar o traço, a sutileza e nossas formas orgânicas."

O grande diferencial da tocha dos Jogos do Rio-2016 está no momento do "beijo" – quando uma tocha encosta na outra para transmitir a chama olímpica durante o revezamento. Nesse instante, a tocha ganha cores e movimento.

"Como conceito, queríamos algo inovador. A tocha, quando está em repouso, fica fechada e toda branca. Quando acionamos o gás, ela se abre e revela cores que remetem ao País", destaca Gustavo. "Começa com uma cor que remete ao solo do Brasil e ao calçadão de Copacabana, passa pelas ondas do mar do nosso litoral com o azul, vai se esverdeando como nossas matas, e termina com um amarelo que representa tanto o sol quanto o ouro olímpico."

CRIAÇÃO

O designer conta que a equipe que cuidou diretamente da confecção do símbolo foi formada por oito profissionais de diferentes áreas, alguns com visão mais técnica. Com 21 anos de mercado, a Chelles e Hayashi atua numa área voltada a eletrodomésticos, utensílios e perfumaria. Produzir a tocha olímpica seria um desafio totalmente diferente – e foi justamente isso que motivou a equipe.

"A gente recebeu um convite do Comitê Rio-2016 para fazer parte do processo de concorrência. Quando a gente recebeu o convite achou que seria um projeto bem bacana, porque não é o tipo de coisa que a gente costuma fazer. Normalmente a gente tem muita limitação, e esse processo era mais inspiracional", explica Gustavo.

No total, 76 empresas se inscreveram no processo, que começou em maio do ano passado. Trinta delas seguiram para a segunda etapa, quando apresentaram seus portfólios. "Nossa equipe selecionou dez delas", conta Beth. "Elas passaram por uma imersão aqui no Comitê Rio por um dia, quando falamos sobre valores olímpicos e o que representa o movimento da tocha olímpica."

Para chegar ao modelo final, Gustavo revela que cerca de 200 conceitos diferentes foram trabalhados por sua equipe. "Foi bem colaborativo", afirma. Fotos de todas as tochas olímpicas e de competições regionais foram coladas nas paredes para que a dos Jogos do Rio não ficasse parecida.

"Nossa ideia é que ela tivesse expressão de brasilidade, cultura popular, artistas brasileiros. Estudamos iconografia de objetos antigos, do Rio, formas de inovação e tochas do mundo inteiro." O resultado final agradou ao Comitê Rio e à equipe de Gustavo e Hayashi. "Tenho a expectativa que a tocha emocione também às pessoas."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estado de S. Paulo

03 Julho 2015 | 13h49

Além da divulgação do moderno design da tocha olímpica dos Jogos do Rio, em 2016, também foi anunciada, em cerimônia presenciada por autoridades nesta sexta-feira, em Brasília, o itinerário da tocha. No Brasil, o objeto desembarcará em Brasília e conta com um trajeto aéreo e terrestre até chegar ao Rio de Janeiro, passando por mais de 300 cidades.

O evento da rota é realizado em uma parceria dos governos municipais, estaduais e federal, além do Comitê Rio 2016 e os patrocinadores do revezamento, que decidem o trajeto e os condutores. Entre Brasília e Rio de Janeiro, foram selecionadas 82 cidades para a tocha pernoitar. Em cada uma delas, haverá shows musicais nacionais e outras atrações para celebrar a passagem da tocha olímpica.

Como é tradição, a tocha olímpica é acesa em Olímpia, na Grécia, cidade-berço das Olimpíadas. Durante uma semana, viajará por cidades gregas até chegar à capital Atenas, onde embarcará em um avião rumo a Brasília. Na capital federal, inicia sua trajetória em solo brasileiro, onde passará por mais de 300 cidades, incluindo todas as capitais estaduais.

De Brasília, a tocha passa por Goiânia e vai rumo ao Sudeste, passando por Belo Horizonte e Vitória antes de subir para a região Nordeste. A partir daí, passa por uma série de cidades até chegar a Teresina, onde inicia sua trajetória aérea pela região Norte e Centro-Oeste. No Mato Grosso do Sul, volta à terra e prossegue rumo ao Sul. De Curitiba, a tocha passa pelo interior paulista, São Paulo, Santos e São José dos Campos antes de chegar ao Estado do Rio de Janeiro. Nova Iguaçu é a última cidade antes de chegar à cidade olímpica.

No total, o símbolo deve ser carregado por mais de 12 mil condutores, movendo-se por 19,7 mil km de rota terrestre e 8,8 mil km de rota aérea, em até 4 cidades por dia.

CONFIRA AS CIDADES ONDE A TOCHA PERNOITARÁ

Encontrou algum erro? Entre em contato

Marcio Dolzan, O Estado de S. Paulo

03 Julho 2015 | 11h41

O revezamento da tocha olímpica, apresentada nesta sexta-feira em Brasília, deverá atingir até 90% da população brasileira, seja acompanhando o percurso in loco, seja interagindo pelas redes sociais. Essa é a previsão do Comitê Rio-2016, que vê no engajamento da população uma das principais marcas do tour.

A chama é acendida na cidade de Olímpia, na Grécia. Ela é trazida ao Brasil de avião e passa de tocha em tocha até ser utilizada para acender a pira olímpica na cerimônia de abertura, seguindo um rígido protocolo. De Olímpia ao Maracanã, a chama passará por cerca de 12 mil tochas durante o revezamento.

"A gente tem uma estimativa de que o revezamento vai impactar 90% da população. Ela passará por todas as capitais, fora as cidades vizinhas. Existe uma concentração muito grande de pessoas nessas áreas", considera Leonardo Caetano, diretor de Cerimônias do comitê. Entre as cidades em que a tocha passará efetivamente durante o revezamento e outras nas quais ela atravessará durante o percurso entre um estado e outro, cerca de 500 municípios terão recebido a chama olímpica, um dos símbolos máximos da Olimpíada. No total, serão 20 mil quilômetros percorridos por terra, além de dez mil milhas pelo ar.

"Esse revezamento na verdade é uma grande contagem regressiva para as pessoas irem para os Jogos", pondera Caetano. "Ela passará por símbolos do Brasil, como Fernando de Noronha e Foz do Iguaçu. O resultado final é um grande engajamento."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.