Matt Detrich/USA Today Sports
Matt Detrich/USA Today Sports

Campeão mundial de judô, Luciano Corrêa anuncia a aposentadoria

Brasiliense encerra a sua carreira competitiva aos 35 anos

Estadão Conteúdo

04 Dezembro 2017 | 18h42

Um campeão mundial de judô parou. Nesta segunda-feira, depois de 30 anos dedicados ao esporte, o meio-pesado da seleção brasileira e do Minas Tênis Clube, Luciano Corrêa, anunciou a sua aposentadoria dos tatames. Campeão do Mundial de 2007, realizado no Rio de Janeiro, e representante do Brasil nos Jogos Olímpicos de Pequim-2008, na China, e Londres-2012, na Inglaterra, o brasiliense encerra a sua carreira competitiva aos 35 anos de idade.

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"Encontrar as palavras certas pra falar sobre essa decisão é algo difícil e amedrontador ao mesmo tempo. O judô entrou na minha vida de uma forma arrebatadora, tudo relacionado a esse esporte é apaixonante. E mesmo hoje, quase 30 anos após ter iniciado minha carreira na academia Ivanez, o que sinto é igual ou ainda maior", disse Luciano Corrêa, em sua carta de despedida, lembrando da ajuda de seu pai e de outros familiares.

"Após meu primeiro Campeonato Brasileiro em 1992, acompanhado do meu melhor amigo e incentivador que é meu pai, eu disse que meu maior sonho era ser campeão mundial de judô e medalhista olímpico. Nenhum de nós dois fazia ideia do que seria necessário ser feito pra atingir ou se existiria alguma chance, o que tínhamos no coração era um sonho. E a ele, minha mãe Antônia, minhas irmãs Jeane e Viviane que escrevo nesse momento: nada seria possível sem vocês. Obrigado por todos os momentos vividos que não me cabe descrevê-los aqui", afirmou o judoca.

Sua trajetória no esporte começou aos quatro anos, quando deu os primeiros passos no dojô em Brasília, sua cidade natal. Aos 16, Luciano Corrêa foi integrado à equipe do Minas Tênis Clube e aos 19 sagrou-se campeão pan-americano júnior (sub-20), em 2001, ano em que também venceu a seletiva nacional e entrou para a seleção principal do Brasil.

 

Encontrar as palavras certas pra falar sobre essa decisão é algo difícil e amedrontador ao mesmo tempo. O judô entrou na minha vida de uma forma arrebatadora, tudo relacionado a esse esporte é apaixonante. E mesmo hoje, quase 30 anos após ter iniciado minha carreira na academia Ivanez, o que sinto é igual ou ainda maior. Após meu primeiro campeonato brasileiro em 1992, acompanhado do meu melhor amigo e incentivador que é meu pai, eu disse que meu maior sonho era ser campeão mundial de judô e medalhista olímpico. Nenhum de nós dois fazia idéia do que seria necessário ser feito pra atingir ou se existiria alguma chance, o que tínhamos no coração era um sonho. E a ele, minha mãe Antônia, minhas irmãs Jeane e Viviane que escrevo nesse momento: nada seria possível sem vocês. Obrigado por todos os momentos vividos que não me cabe descrevê-los aqui. Comecei minha jornada na minha cidade Natal em Brasília, aos 16 fui convidado pelo sensei Floriano Almeida para ingressar a equipe do Minas Tênis Clube, entidade que represento há 17 anos e me proporcionou toda estrutura necessária para que meus sonhos enquanto atleta de judô pudessem ser alcançados, se tornou uma família e faz parte de mim. Fiz dentro do Minas, amizades que guardo no coração, memórias inesquecíveis da antiga geração, tantos irmãos que me auxiliaram e me mostraram como a prática do judô vai muito além das disputas no tatame. Meu tio Marcos e minha Tia Janda, que receberam aquele adolescente cheio de sonhos e ansioso pela liberdade que passou a ter: meu muito obrigado. À Sara, que me ensinou ainda cedo que o amor perdura além dessa vida, eterna saudade. Ao staff do MTC . A todos vocês que fizeram parte de meu convívio e trajetória no esporte: minha eterna gratidão. Aos meus companheiros de seleção, quantos momentos inesquecíveis: comemoração das vitórias e ombro amigo nas derrotas. Meu padrinho de casamento Leandro Guilheiro, acompanhei de perto sua jornada, e um dos momentos que nunca esquecerei: sua persistência e força, lutando não apenas contra os adversários, mas contra lesões do corpo pra conquistar a merecida segunda medalha olímpica em Pequim. (continua nos comentários)

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Foram 16 anos servindo a seleção e inúmeros títulos conquistados: é tricampeão brasileiro, tricampeão dos Jogos Mundiais Militares, bicampeão do Campeonato Pan-Americano, bicampeão dos Jogos Pan-Americanos, multimedalhista em etapas de Open, Copa do Mundo, Grand Prix e Grand Slam do Circuito Mundial da Federação Internacional de Judô (IFJ, na sigla em inglês), bronze no Mundial do Cairo, no Egito, em 2005, e campeão mundial no Rio de Janeiro, em 2007.

Luciano Corrêa encerra a sua carta de despedida, depois de também agradecer a ajuda de outros judocas, se declarando para sua esposa, a nadadora Joanna Maranhão. "E minha amada esposa Joanna Maranhão, que conheci em 2009, por toda compreensão, companheirismo e amor a mim dedicados. Obrigado por me ensinar que vale a pena enfrentar e persistir, que vale a pena lutar pra promover sementes de mudança no mundo, por buscar a todo instante melhorar a si mesmo, por todo incentivo nos momentos cruciais e difíceis da jornada, principalmente agora, por toda paciência e longas conversas para chegarmos juntos a decisão que o momento da transição chegou. Meu amor sem palavras pra descrever seu apoio incondicional, eu te amo".

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