Divulgação / UFC
Divulgação / UFC

Cyborg celebra primeiro desafio na categoria dos penas: ‘É mais uma consagração’

Depois de lutar pela criação de uma nova divisão no UFC, brasileira disputa cinturão com Tonya Evinger

Andreza Galdeano, O Estado de S.Paulo

27 Julho 2017 | 13h14

Foram duas lutas seguidas com peso combinado no Ultimate para que Cris Cyborg finalmente tivesse a oportunidade de se apresentar em sua categoria de origem, a divisão peso-pena, até 66kg. No próximo sábado, pelo UFC 214, na Califórnia, EUA, a brasileira vai encarar Tonya Evinger na disputa pelo cinturão.

Sem saber o que é uma derrota há 11 anos, a paranaense que brilhou no Strikeforce e no Invicta FC luta para deixar sua marca na maior organização de MMA. Ao Estado, Cyborg comentou sobre a troca de adversária - inicialmente ela enfrentaria a australiana Megan Anderson - e a importância de estar dentro do peso adequado. Disse ainda sobre suas diferenças com Dana White, o todo-poderoso do MMA. Confira a entrevista. 

Com menos de um mês para a luta, sua adversária mudou. Você sentiu que isso prejudicou sua preparação?

Eu procuro treinar todos os movimento, tudo mesmo, e estar preparada para o que vier. Na verdade, eu sou campeã há muito tempo e sei que tem de estar preparada para qualquer adversária. Eu sei que o jogo é diferente, mas não vai mudar muita coisa. Vou mostrar o meu trabalho dentro do octógono independentemente de quem estará na minha frente.

É o seu primeiro desafio pelo cinturão dentro do UFC e dentro da divisão para a qual você fez campanha para que fosse criada. O que essa luta representa para você e como está sua expectativa?

Eu estou muito feliz por ter essa oportunidade, lutar pela minha categoria. Acredito que seria mais especial se tivesse feito a primeira luta, o primeiro cinturão da categoria que lutei. Não concordo com isso, porém, essa luta é muito significativa, eu devo isso aos meus fãs. Eles fizeram abrir a categoria. Eles são a nação Cyborg.

Em uma recente entrevista, Tonya Evinger chegou a dizer que ela será o maior desafio da sua carreira. Como você rebate essa afirmação?

Eu acredito que ela vem mostrando que tem coragem por aceitar a luta de última hora. É uma grande adversária, ela vai dar mais trabalho e vamos ver, ela é boa de falar antes da luta, mas dentro do octógono todo mundo tem um plano que muda depois do primeiro soco (tomado).

É a primeira luta da Tonya no UFC e ela é campeã peso-galo no Invicta FC e teve de subir de categoria para a luta. Você vê isso como uma vantagem?

O que eu acredito é que a Tonya ter aceitado a luta salvou a gente, porque em cima da hora, um mês antes, foi uma irresponsabilidade da Megan Anderson desistir. Você tem de respeitar o seu adversário, não podemos julgar a luta antes dela acontecer, eu nunca vejo que vai ser fácil. Tenho de estar preparada para dar o meu melhor.

Você já fez parte de grandes eventos, como a luta contra a Gina Carano no Strikeforce e o UFC de Curitiba. Como essa disputa de cinturão se compara a essas outras lutas?

Eu vejo esse combate como uma defesa de cinturão. Não perdi meu título, apenas deixei vago. Na minha opinião, é mais uma defesa e sempre treinei para ser campeã. É mais uma consagração na minha carreira, se ela vier.

Você hoje já aparentou estar bem mais magra nas redes sociais. Como está o processo de perda de peso agora que está lutando na sua categoria original?

Na verdade, nesses três últimos anos já estava perdendo peso e isso me ajudou um pouco a ficar mais leve. Acredito que a cada dia eu venho melhorando mais a minha dieta e agora está muito mais profissional. Estou bem contente com o resultado, trabalhando bem e treinando feliz.

A comissão da Califórnia tem prestado atenção na questão do corte de peso e saúde do atleta, com limites de peso tanto pré-pesagem quanto pós-pesagem. Como será o seu controle para que não exceda o peso sugerido pela comissão no dia da luta?

Sempre estou ali perto dos 65 kg, acho que vou estar no mesmo peso de sempre, dentro dos padrões. Lutei por isso, para que tenha regra sobre o peso e acho que é necessário, é para salvar o atleta.

Desde que chegou ao UFC, você demonstra que não concorda com algumas atitudes do Dana White. Desta vez foi a questão da lutadora, do pôster da luta. Como você faz para que essas questões não te atrapalhem no octógono?

Eu nunca quis ser mais uma. Quero fazer a diferença e melhorar o esporte. Quero ser lembrada pelas outras atletas não só como a campeã, mas aquela que lutou por todos, assim como lutei por ter mais uma categoria e vou continuar lutando mesmo que as vezes isso me prejudique. Não estou aqui por status, ninguém me corrompe. Acredito em melhorar o esporte e penso no futuro, porque não vou lutar para sempre.

Acha que um cinturão na franquia te colocaria na posição de maior ídolo do MMA feminino?

O rosto do MMA são todas as meninas que lutam no UFC. Quando você faz o rosto do MMA ser uma pessoa só, fica carente. Foi o que aconteceu com a Ronda Rousey, foi o que fizeram dela.

Mais conteúdo sobre:
UFC Cris Cyborg

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.