Wander Roberto/Inovafoto
Wander Roberto/Inovafoto

'Estou voltando por um motivo: ser campeão. É o retorno do Dragão'

Lutador brasileiro Lyoto Machida fará a luta principal do UFC São Paulo no dia 28 de outubro, no Ginásio do Ibirapuera

Entrevista com

Lyoto Machida

Andreza Galdeano e Paulo Favero, O Estado de S.Paulo

14 Setembro 2017 | 07h02

Principal estrela do UFC São Paulo, em 28 de outubro, no ginásio do Ibirapuera, o brasileiro Lyoto Machida não vê a hora de pisar no octógono após mais de dois anos afastado. Em entrevista ao Estadão, o ex-campeão dos meio-pesados explicou que o período ausente só o deixou com mais vontade de esticar sua vitoriosa carreira. “Estou voltando por um motivo simples: para ser campeão. É o retorno do Dragão”, avisou.

Você ficou mais de dois anos afastado do octógono. Como foi esse período fora dos combates?

Aproveitei para cuidar mais de mim, dar um tempo para o meu corpo fisicamente e mentalmente. Também pude me recuperar de algumas lesões, ficar mais com a família e desenvolver outras habilidades.

O retorno, em seu País, ajuda a superar as dificuldades?

O retorno em um evento no Brasil tem o bônus e o ônus. Acredito que o lado bom pesa muito mais, pois tenho a torcida ao meu lado, estou lutando no meu País e tenho todo suporte. Agora tem o outro lado, que nesse momento muitos familiares, amigos e fãs vão querer me encontrar na semana da luta. Então tenho de cuidar para manter o meu foco.

Chegou a imaginar que faria a luta principal do card?

Eu imaginava que o UFC estava preparando algo legal para o meu retorno, mas nada poderia ser melhor do que essa combinação de fatores. Será a luta principal em um grande evento no Brasil.

Qual o seu objetivo agora?

Quero primeiramente fazer essa grande luta, essa volta que vai ser no dia 28 de outubro. Em seguida, trilhar o caminho para ser campeão novamente. Eu tinha tudo para parar de lutar. Fiquei dois anos afastado, tive duas derrotas, operei meu nariz, teve a suspensão pelo doping, mas eu estou voltando. E por um motivo simples: para ser campeão.

Como está a preparação para enfrentar o Derek Brunson?

Meu camp para a luta contra o Brunson está sendo muito bom, está sendo muito bem dividido. Estou tendo assistência do mestre Rafael Cordeiro na Kings MMA, meu preparador físico é o Nick Curson, o treinador de jiu-jítsu é o Rener Gracie e tem ainda o Alan Góes, que tem estado muito comigo. Também estou contando com o apoio do meu irmão Chinzo Machida e teremos Eric Albarracin, no wrestling, e o Fabrício Nunes, que está chegando para dar uma força na parte da luta em pé.

Acha que a falta de ritmo vai atrapalhar?

Acredito que em todas as lutas pode ter algo que pode atrapalhar você. Às vezes é porque é sua estreia, às vezes porque é sua última luta. Algumas vezes o fato de estar vindo de várias vitórias seguidas ou derrotas pode atrapalhar, então sempre existe a pressão de uma forma ou de outra. Assim, se você não está focado, ou está fora do octógono por um tempo e vive a pressão de nunca mais ter competido, pode acabar atrapalhando. Mas acredito no trabalho que venho fazendo, acredito muito na minha equipe e em todo aprendizado que vem me fortalecendo a cada dia.  

O que você levou de lição após receber a punição por doping? De alguma maneira achou que foi injustiçado?

Eu tive meu aprendizado, acredito que é uma página virada e já passou. Estou em outro momento agora, momento de voltar a lutar. Então todas as energias são positivas, o meu treinamento está muito bom, formamos uma equipe unida e fortalecida. Eu tive meu aprendizado nesse período, como profissional e como pessoa.

Ser rotulado por alguns de “trapaceiro” depois do caso de doping faz com que você sinta que sempre será julgado da mesma maneira ao longo da carreira?

Meu foco não está nos rótulos nesse momento, está em outra coisa. Como falei, tive meu aprendizado, extrai o máximo proveito dessa situação e acredito que agora não tenho de estar pensando nisso. Conheço minha índole e meu caráter, sei tudo o que eu fiz na minha carreira. Minha cabeça agora é voltar a lutar, fazer uma boa luta e mostrar o meu trabalho.

Como está a expectativa para o retorno e o reencontro com os seus fãs?

Já estive no Brasil para promover a luta e fui recebido com muito carinho. As expectativas são as melhores, eu sei muito bem o meu objetivo, que está bem traçado. Meu caminho será uma linha reta em busca do meu sonho.

O que você espera sobre esse recomeço da carreira? Já tem planos para depois da luta no UFC São Paulo, no Ginásio do Ibirapuera?

Para mim essa luta é como um recomeço. Estou me sentindo bem fisicamente e cheio de disposição. Esses dois anos parado me deram ainda mais fome, mais vontade, parece que tudo está começando novamente. É o retorno do Dragão. Estou trazendo como se fosse uma estreia, aquela expectativa, aquela vontade. Então está sendo bastante positivo para mim nesse momento.

 

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