Luiz Fernando Menezes
Luiz Fernando Menezes

Feito em ‘casa’, Robson Conceição mira título no boxe profissional

Campeão olímpico, brasileiro não troca Salvador para treinar em Las Vegas no ano mais importante de sua carreira

Wilson Baldini Jr. , O Estado de S.Paulo

08 Fevereiro 2018 | 07h00

Medalha de ouro na Olimpíada do Rio, em 2016, Robson Conceição mantém a determinação mostrada nos primeiros movimentos do boxe agora na carreira profissional. No próximo dia 16, o baiano, de 28 anos, sobe ao ringue pela sexta vez para enfrentar o hondurenho Jayro Duran, em Reno, Nevada, Estados Unidos.

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O objetivo do boxeador brasileiro e do técnico Luiz Dórea é fazer pelo menos mais seis apresentações no ano e atingir uma posição de destaque nos principais rankings mundiais. Para isso, o pugilista, de cartel com cinco vitórias (quatro nocautes), não economiza esforços, e aceita todos os tipos de treinos.

Apesar do sucesso olímpico, Robson preferiu continuar seus treinamentos na capital baiana a migrar para Las Vegas, na sede da Top Rank, empresa do lendário promotor Bob Arum, com quem tem contrato e teria estrutura sofisticada. Esquiva Falcão, prata em Londres-2012 e também contratado pela Top Rank, passou cinco anos em Las Vegas e treina na Califórnia.

Na academia Champion, em Salvador, Robson não tem o mesmo luxo, mas não lhe falta nada para se preparar. Se os astros LeBron James (basquete), Cristiano Ronaldo, Neymar (ambos do futebol) e Anthony Joshua (campeão mundial dos pesados no boxe) têm à disposição uma câmara de nitrogênio, muito comum no mundo do esporte de alto nível, Robson usa uma caixa d’água repleta de gelo para relaxar os músculos após os exigentes exercícios físicos e tratar de pequenas lesões.

O método não é novo e foi utilizado por Ronaldo Fenômeno e Roberto Carlos, quando ambos estavam no Corinthians, na temporada de 2010. Os atletas são mergulhados no gelo. “Robson está forte, rápido. No melhor de sua forma. Tivemos um ótimo período de treinamento”, disse Dórea, que trabalhou com o tetracampeão mundial Acelino Popó Freitas em boa parte de sua carreira.

Robson luta na categoria dos superpenas, uma das mais disputadas. O destaque entre os pugilistas que pesam no máximo 58,967 quilos é o ucraniano Vasyl Lomachenko, dono do cinturão da Organização Mundial de Boxe (OMB). Robson e Lomachenko se enfrentaram no amadorismo, com vitória do brasileiro, mas o adversário entrou com um recurso e acabou revertendo o resultado. A rivalidade existe e não é negada. “O nosso objetivo é enfrentar Lomachenko o quanto antes”, afirmou Dórea, sem esconder o desejo de revanche da luta. 

Ao fazer uma análise das últimas apresentações de Robson é possível ter um certo entusiasmo, afinal o boxeador tem mostrado grande evolução técnica e física. Os golpes são variados e aplicados com correção, enquanto o físico está extremamente “seco” e forte, resultado do tratamento feito no gelo. 

Robson viaja domingo para os Estados Unidos. Uma nova vitória, de preferência por nocaute e nos primeiros rounds, vai chamar a atenção do público, imprensa e empresários norte-americanos. 

A chance de o Brasil disputar mais um título mundial aumenta. E com um detalhe: com o lutador forjado em casa.

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