Rafael Arbex/ Estadão
Rafael Arbex/ Estadão

Gadelha projeta disputa pelo cinturão daqui a seis ou oito meses: 'Preciso de mais um tempo'

Número 1 do ranking peso-palha fala sobre a atual campeã Joanna Jedrzejczyk e sua mudança definitiva para os Estados Unidos

Entrevista com

Cláudia Gadelha

Andreza Galdeano, O Estado de S.Paulo

04 Julho 2017 | 16h10

Depois de finalizar a polonesa Karolina Kowalkiewicz, no início de junho, no UFC Rio, Cláudia Gadelha volta a falar sobre a disputa do cinturão peso-palha do Ultimate. Atual número 1 do ranking, a brasileira afirma que precisará de seis a oito meses para encarar a campeã Joanna Jedrzejczyk.

Além do cinturão, Gadelha conta em entrevista exclusiva ao Estado, sobre a sua mudança definitiva para os Estados Unidos e a dificuldade para se desligar do Rio de Janeiro, local onde construiu a sua carreira no MMA. 

No UFC Rio, você encarou a Polonesa Karolina Kowalkiewicz e saiu com uma vitória ainda no começo do primeiro round. O quanto essa luta foi importante? 

Foi muito importante. Geralmente eu sempre peço para encarar os maiores desafios e antes da Karolina eu peguei a número 14 do ranking e não estava feliz com isso. Eu realmente quero encarar as melhores lutadoras e sabia que enfrentar a Karolina seria bom, ela é uma atleta de alto nível, não é à toa que ela é a número dois do ranking.

Como foi a preparação?

Eu estava muito bem preparada, desenhei muito bem o jogo dela, tudo o que ela poderia melhorar nesse tempo que passou treinando para me enfrentar. O meu treino foi muito perfeito, voltado para tudo o que ela poderia fazer, no final, deu certo como todos viram.

Entrar no octógono em casa, onde você construiu a sua carreira no MMA, recebendo o apoio dos fãs no Rio de Janeiro, foi o que fez a diferença na hora de enfrentar a Karolina?

Lutar em casa é sempre muito bom, minhas duas melhores performances dentro do UFC foram no Rio. Eu lutei aqui em são paulo e senti a energia da galera, mas no Rio parece que o torcedor é um "bicho diferente" e é muito gostoso sentir a galera vibrando. Na hora que eu entrei eu senti que estavam comigo, eu pisei no octógono e falei: Ninguém vai ganhar de mim.

Você e a Karolina já haviam perdido para a Joanna Jedrzejczyk, atual campeã peso-palha do UFC, isso fez você já entrar no octógono com a certeza de que mostrar o seu melhor seria o caminho o cinturão? 

Não. Isso é o que todo mundo estava pensando, mas eu estou passando por uma fase de mudanças na minha vida, estou mudando o meu treinamento, estou indo para outro lugar, então eu não quero enfrentar a Joanna agora, mesmo que o UFC me ofereça, mesmo que os fãs e a galera dentro da luta ache que eu tenha que lutar, eu não acho que essa é a hora.

Em quanto tempo pretende lutar pelo cinturão?

Como eu estou passando por um processo de mudança, eu preciso de mais um tempo para ficar pronta, daqui a seis ou oito meses. Eu já lutei contra ela duas vezes e eu acho que o treinamento que eu fazia não era adequado. Agora, estou concertando, só que eu não quero dar um passo maior do que a minha perna, eu quero chegar lá e ter a certeza de que eu vou trazer o cinturão.

O que você aprendeu com essas duas derrotas para a Joanna?

Eu conheço muito bem o jogo da Joanna, eu a venci a primeira vez e a segunda vez eu realmente cansei, eu perdi, mas eu tenho o jogo dela todo desenhado, eu sei tudo o que ela faz e eu acho que o jogo é o mesmo. Eu preciso fazer o que eu fiz na primeira e na segunda luta, mas o treinamento é diferente, tem que poupar mais. Agora eu achei a receita do bolo para chegar lá pronta e não gastar muita energia, eu acho que esse é o caminho.

Pretende enfrentar alguém durante a sua preparação?

Eu quero enfrentar alguém antes de disputar o cinturão, não quero ficar parada, quero continuar em ritmo de competição. Eu não sei quem, talvez a Carla Esparza ou a Felice Herrig. Eu gostaria muito de lutar com alguém do Top 5, ou dentro do Top 10, alguém ranqueado, vindo de vitórias consecutivas.

Sendo a número 1 do ranking, você sabe que as outras lutadoras vão querer passar por você antes de chegar na atual campeã. Como você se sente?

Todo mundo quer passar por cima de mim e ir lá e já lutar contra a Joanna, é um jeito que não é errado, eu entendo, mas eu fico em uma situação chata e dificíl porque todo mundo quer passar por mim.

Antes da sua luta no Rio, você falou que todo mundo poderia esperar por uma Gadelha diferente, mais estratégica, mais inteligente. Você acha que a sua última vitória deixou isso claro?

Eu tenho certeza, por alguns anos eu já sou a número 1 do ranking pelo-palha, mas eu vinha sempre fazendo a mesma coisa e agora eu me desafiei. Estou morando fora do Brasil, fazendo coisas diferentes, treinamentos diferentes e não é fácil quando você sai da sua zona de conforto.

Como está a adaptação agora que você realmente resolveu se desligar do Brasil e morar nos Estados Unidos?

É bem dificil me desligar do Rio, eu morei lá durante 10 anos, foi onde eu construi a minha carreira no MMA, é onde eu tenho os meus melhores amigos, as pessoas que estiveram comigo em momentos fantásticos da minha vida, é uma cidade onde eu me sinto em casa. É complicado ir morar em outro lugar, só que profissionalmente é a melhor coisa para mim, é um passo profissional na minha vida e eu acho que essa fase que eu estou passando agora está fazendo eu evoluir como atleta e como pessoa.

É uma escolha definitiva?

Eu estou tentando me desligar do Brasil desde novembro do ano passado, mas eu sempre tinha uma desculpa para voltar e agora eu decidi ir mesmo de vez, focar no meu treinamento, no cinturão e na minha carreira. Viver e respirar a luta 24 horas por dia e para isso eu tenho que ir embora.

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