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'O público pode esperar um Lyoto diferente no octógono'

Lutador brasileiro revela detalhes de sua preparação para o UFC São Paulo, que incluem banho de sal e meditação

Entrevista com

Lyoto Machida

Andreza Galdeano, O Estado de S.Paulo

26 Outubro 2017 | 07h00

Faltando poucos dias para encarar um grande desafio em sua carreira, Lyoto Machida não esconde que a preparação e concentração são os pontos fundamentais para brilhar no UFC São Paulo. O combate contra o americano Derek Brunson, que marca o retorno do brasileiro ao octógono, acontecerá neste sábado, no ginásio do Ibirapuera.

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Em entrevista exclusiva ao Estado, Lyoto revela detalhes sobre a rotina e intensidade dos treinamentos, comenta quais foram as maiores dificuldades no período fora das competições e não esconde a confiança: “Meu foco é voltar, lutar e ganhar”.

 

Como estava a sua rotina de treinos antes de confirmar o seu retorno ao octógono?

Durante o período de suspensão não parei de treinar um só dia, mantive o ritmo de treinamentos físicos e técnicos. Ao lado do meu preparador físico alterava periodicamente a intensidade dos estímulos – como se estivesse próximo de uma luta – para manter a resposta do meu corpo em diferentes situações. Os treinos eram dinâmicos, combinando momentos na academia e ao ar livre. Usando tanto as estratégias das artes marciais quanto exercícios funcionais. Adotei uma rotina de corridas frequentes também.

 

Como você aproveitou esse período fora das competições?

Durante o tempo parado aproveitei para desenvolver novas habilidades, foquei no aprendizado mental de todo o período, estudei sobre desenvolvimento pessoal, abri uma academia em Los Angeles (EUA), dedicada a ensinar o Machida Karate, uma metodologia que resgata técnicas que não são mais utilizadas pelo caratê moderno e foram lapidadas dentro do octógono, quando eu e meu irmão precisamos aplicar a modalidade em situações de luta. Me mantive praticando atividade física e também investi na minha preparação mental. Eu medito duas vezes por dia, de manhã e à noite, desde os tempos do de amador. Essa ferramenta é fundamental para o meu processo de desenvolvimento. Também investi em um lifecoach que me auxiliou a descobrir um novo Lyoto.

 

Qual foi a maior dificuldade que chegou a enfrentar?

A maior dificuldade foi o processo de aceitação do que ocorreu, que hoje é um momento que me trouxe grande aprendizado, mas é página virada. Quando eu aceitei o que tinha acontecido, as coisas começaram a evoluir novamente e começaram a acontecer. Agora não estou olhando para as dificuldades, esperei muito para esse momento de retorno. Queria muito estar de volta aos octógonos, poder lutar e buscar meu lugar como campeão. Então, encarei todo o processo de preparação para a luta, desde o treinamento e o desgaste físico dos treinamentos, até mesmo o fato de lutar no meu país, de forma muito positiva e feliz. Quem me acompanha nas redes sociais percebe um pouco disso. Meu foco é voltar, lutar e ganhar.

 

E o planejamento depois que recebeu o convite para fazer a luta principal no UFC São Paulo?

Meu camp foi realizado com assistência do mestre Rafael Cordeiro, na Kings MMA. Depois que a luta foi anunciada, organizamos os meus treinamentos. Meu foco é sempre potencializar minhas habilidades e treinar estratégias para minimizar os pontos que podem ser fracos. No início do processo de treino a carga é mais intensa em todos aspectos, cheguei a ter até três períodos de treinos durante um dia. Para todas as lutas eu preparo junto com os meus treinadores um elemento surpresa. Nem sempre a gente consegue encaixar esse elemento durante o desenrolar da luta. Para essa também preparamos, o público pode esperar um Lyoto diferente no octógono.

 

Como é o estudo da equipe para uma luta contra o Derek Brunson?

Buscamos a melhor preparação possível para cada adversário. Com ele não foi diferente.

 

Quem está envolvido na preparação?

Meu preparador físico é o Nick Curson, os treinadores de jiu-jítsu são Rener Gracie e Alan Góes, Eric Albarracin, no wrestling, Fabricio Nunes na parte da luta em pé e também contei com o apoio do meu irmão Chinzo Machida.

 

Onde são realizados os treinamentos?

Os treinamentos são feitos tanto na academia quanto ao ar livre. Além disso tenho na minha preparação pelo menos 30 minutos de alongamento todos os dias, sauna de gelo (crioterapia) e banheira com sal três vezes na semana.

 

Faltando poucos dias para o retorno, como está a sua concentração?

Minha família é fundamental nesse período de preparação. O gerenciamento da minha esposa Fabyola me permite focar apenas na preparação e nos treinos, enquanto os negócios e as outras atividades ficam sob supervisão dela. Meu foco e concentração são totais. Com o dia da luta se aproximando, vou ficando ainda mais isolado, buscando blindar a minha concentração e o meu foco para a luta.

 

E a frequência de treinos?

Durante o período de preparação tive apenas um dia de descanso semanal dos treinos. Eles eram divididos em pelo menos duas seções ao longo do dia, e em alguns dias cheguei a ter três períodos de treino. Dentro do meu processo de preparação, o repouso é algo importante também, priorizo ter pelo menos oito horas de sono por dia. Outro momento que faz parte do meu descanso são os estudos e os momentos de brincadeiras com os meus filhos.

 

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